ONU reforça que jornalista da Al Jazeera foi morta por israelenses e pede inquérito judicial para o caso

Redação Portal IMPRENSA | 24/06/2022 10:36
Porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (HCDC), Ravina Shamdasani afirmou nesta sexta-feira (24) que, após análise de informações do exército israelense e do procurador-geral palestino, o órgão concluiu que a jornalista palestina-americana Shireen Abu Akleh foi morta em 11 de maio pelas Forças de Defesa de Israel. Os tiros disparados pelos israelenses também atingiram o jornalista Ali Sammoudi, que não morreu.

Anunciada em uma coletiva de imprensa em Genebra, a conclusão do HCDC faz eco a outras análises e relatórios do episódio. Todos confrontam a teoria de que os tiros que atingiram os jornalistas foram disparados indiscriminadamente por palestinos, como inicialmente foi reivindicado pelas autoridades israelenses, e atribuem os disparos às forças de segurança Israel. 
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“Nossas descobertas mostram que nenhum aviso foi emitido e nenhum tiroteio estava ocorrendo”, disse Shamdasani, acrescentando que não houve "qualquer atividade de palestinos armados perto dos jornalistas”. Ainda segundo a porta-voz, o HCDC considera “profundamente perturbador que as autoridades israelenses não tenham aberto um inquérito judicial” para apurar o caso.

Investigações

Estrela da rede árabe Al Jazeera, com sede no Catar, a jornalista vestia um colete à prova de balas com a palavra "imprensa" e um capacete quando foi atingida fatalmente na cabeça. Ela estava nos arredores do campo de refugiados de Jenin, um reduto de facções armadas palestinas, onde as forças israelenses estavam realizando uma incursão. 

Investigações conduzidas pelo promotor-chefe palestino e pelo canal americano CNN também concluíram que Abu Akleh foi morta por disparos israelenses.

“Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet continua a instar as autoridades israelenses a abrir uma investigação criminal sobre o assassinato da Sra. Abu Akleh e todos os outros assassinatos e ferimentos graves cometidos pelas forças militares na Cisjordânia e como parte das operações de aplicação da lei em Gaza", acrescentou a porta-voz do HCDC.

De acordo com o órgão, desde o início de 2022, o exército israelense matou cinquenta e oito palestinos na Cisjordânia, incluindo treze crianças. “O direito internacional dos direitos humanos exige uma investigação rápida, completa, transparente, independente e imparcial sobre qualquer uso da força que resulte em morte ou ferimentos graves. Os perpetradores devem ser responsabilizados”, enfatizou Shamdasani.