Jornalistas que revelaram ao mundo tragédia de Mariupol são premiados na Alemanha

Redação Portal IMPRENSA | 21/06/2022 18:02
O videojornalista ucraniano Mstyslav Chernov, da agência de notícias Associated Press, e seu compatriota Evgeniy Maloletka, que é fotógrafo freelancer, receberam nesta segunda-feira (20), na Alemanha, o Prêmio Liberdade de Expressão da DW, por sua cobertura jornalística da invasão da Ucrânia a partir da cidade portuária de Mariupol em fevereiro e março.

Ambos chegaram à área poucas horas antes de as tropas russas invadirem a Ucrânia. Eles trabalharam lá durante três semanas, até a cidade ser evacuada em março.

As fotos e vídeos da dupla ajudaram a desmentir a propaganda do Kremlin de que os civis vinham sendo poupados e a denunciar ao mundo os efeitos da invasão russa em Mariupol.
Crédito: Evgeniy Maloletka

O trabalho também mostrou como Mariupol foi reduzida a ruínas, morte e caos sob sucessivos bombardeios e ataques russos, além de documentar as condições de vida dos civis, que foram privados de gás, eletricidade, comida e água potável durante semanas. 

Grávida

Uma das imagens mais representativas do trabalho da dupla foi feita em 9 de março, quando Maloletka fotografou paramédicos retirando uma gestante de uma maternidade destroçada por um ataque aéreo russo. Chernov também filmou a cena. A grávida e seu bebê acabaram morrendo. As imagens viralizaram nas redes sociais. Mas os dois jornalistas não tinham ideia da repercussão de seu trabalho.

"Não tínhamos oportunidade, nem acesso fácil à internet, para monitorar as mídias e ver as reações ao que quer que a gente tivesse filmado ou fotografado. No entanto, quando ocorreu o ataque aéreo à maternidade, eu me dei conta que ia ser um dos momentos e das imagens mais cruciais dessa guerra, e que ia ter impacto enorme", lembra Chernov.

As imagens registradas pela dupla foram compartilhadas graças a um sinal de internet fraco e instável, acessível apenas em alguns pontos de Mariupol.

Os dois jornalistas já tinham experiência prévia em zonas de conflito armado. Chernov atuou também na guerra da Síria, Iraque e Mianmar, já Maloletka cobriu a revolução da Praça da Independência (Maidan) e conflitos na região de Donbass e na península da Crimeia.

Mas Mariupol, diz o videorrepórter, foi "uma das missões mais difíceis e perigosas" de sua vida. "Essa guerra é extremamente perigosa e imprevisível, com armas ultrassofisticadas. Então, enquanto você está preocupado pela própria vida, também sente essa pressão para produzir material e enviar, porque é importante." 

Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, até 13 de junho de 2022, pelo menos 12 profissionais foram mortos nas zonas de combate na Ucrânia. Também há notícias de desaparecimentos, sequestros e mortes não contabilizadas de jornalistas. Após receberem o prêmio, os jornalistas pretendem voltar à Ucrânia e retomar a cobertura do conflito.