Entidades criticam governo britânico por assinatura de ordem para extraditar Assange

Redação Portal IMPRENSA | 20/06/2022 10:34
Entidades de defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos condenaram a assinatura pelo governo britânico de uma ordem para extraditar Julian Assange para os Estados Unidos. 

A assinatura da ordem de extradição do jornalista australiano fundador do WikiLeaks foi anunciada na sexta-feira (17) pela Secretaria Nacional do Interior britânica e tem entre os objetivos rechaçar as críticas de que a extradição seja injusta ou incompatível com os direitos humanos.
Crédito: Reprodução
Manifestantes protestam contra extradição de Julian Assange para os EUA
Divulgado na mesma data, o manifesto contrário à extradição tem entre seus signatários a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Associação Profissão Jornalista (APJor) e Assembleia Internacional dos Povos (API). 

No exterior, a Federação Europeia de Jornalistas (EFJ) e a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) também condenaram a decisão do governo britânico, classificando-a como um duro golpe contra a liberdade de imprensa.

Na visão das entidades, a decisão pode estabelecer um precedente perigoso para jornalistas, meios de comunicação ou fontes de informação que divulguem notícias baseadas no vazamento de informações de interesse público.

Os EUA querem julgar Assange pelo vazamento de documentos de inteligência do exército americano. Os documentos foram publicados no WikiLeaks e reproduzidos por veículos de imprensa ao redor do mundo.

Assange responde por acusações de espionagem, fraude e abuso de computadores. Se condenado, ele pode ter que cumprir pena de prisão perpétua. Seus defensores também temem que, se ele for extraditado para os EUA, será mantido em isolamento, o que aumentaria seu risco de suicídio.

Assange está desde 2019 na penitenciária de segurança máxima Belmarsh, em Londres, onde aguarda a tramitação do pedido de extradição feito pelos EUA. A defesa do jornalista vai tentar um recurso contra a decisão de sexta-feira. 

Os documentos confidenciais divulgados por Assange indicariam crimes de guerra cometidos pelos EUA e países aliados em diferentes conflitos. Um desses documentos é um vídeo que mostra a execução, por militares americanos a bordo de um helicóptero dos EUA no Iraque, em 2007, de pelo menos 18 civis, incluindo dois jornalistas da agência Reuters.