Jornalistas empreendedoras abordam a importância do trabalho colaborativo para ampliar a diversidade

Troféu Mulher IMPRENSA

Adriana Cardoso | 16/06/2022 07:25

As redes colaborativas têm exercido um papel extremamente importante para ajudar a incluir profissionais de comunicação majoritariamente excluídos da grande mídia. Funcionando como uma corrente de afeto, essas redes, em sua maioria geridas por mulheres empreendedoras, têm ganhado cada vez mais força nos últimos anos, diversificando e amplificando as vozes e pontos de vistas que grandes veículos de comunicação normalmente não mostram.

Esses assuntos permearam o segundo bate-papo do programa de lançamento da 16ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA, que trouxe o tema “O Trabalho Colaborativo na Diversidade”. O lançamento do programa ocorreu na terça-feira (14), sendo veiculado diretamente dos estúdios da ESPM/SP, apoiadora do prêmio com patrocínio da Bayer.

Participaram do debate, conduzido pela professora da ESPM/SP, a jornalista Cicelia Pincer Batista; a presidente da Rede de Jornalistas Pretos (JP), Marcelle Chagas; a conselheira da Associação de Jornalismo Digital (AJOR) e coordenadora de projeto na Rede da Maré, Daniele Moura; e Gabriela Augusto, representante da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) e fundadora da Transcendemos Consultoria.

Sobre a importância do trabalho colaborativo para a inserção e fortalecimento da diversidade, Marcelle apontou que pesquisas recentes mostram que apenas 20% dos jornalistas presentes nas grandes redações e/ou empresas de comunicação é negra, e, portanto, o papel de organizações como a que ela conduz são essenciais para olhar e apoiar esses profissionais excluídos.

“O primeiro passo para ampliar essa diversidade é fortalecer as redes entre os jornalistas negros, que são redes de afetividade, que é o que temos feito. Essa rede é importante para a troca de informações, conhecimento, troca de vagas, além de proporcionar que pessoas que já atingiram cargos mais altos estejam com pessoas que estão começando, com jovens”, explicou.

Crédito:Deka Carvalho

Comunidades

Coordenadora do projeto Maré de Notícias, da Rede da Maré, Daniele tratou da força que vem ganhando o jornalismo hiperlocal, um filão informativo para fortalecer as redes de comunicação comunitárias e periféricas. 

“O entendimento que a gente tem é que a periferia é parte da cidade. Então, o jornalismo local tem que fazer parte do jornalismo como um todo, até porque as grandes coberturas se dão localmente. Ele tem que entrar numa espécie de cobertura também na mídia hegemônica, pois há uma escassez muito grande de pessoas oriundas da periferia nas grandes redações e isso é uma coisa muito séria”, avaliou.

Contudo, segundo Daniele, há muitos desafios permeando esse filão informativo, principalmente no âmbito econômico, a fim de que esses projetos possam ter sustentabilidade. Mas não só. “Parte do desafio hoje é entender esse território (do local) como parte da cidade, fazer essa intercessão dessa rede colaborativa com a mídia, sem ser uma doação, uma caridade, mas de fato olhar isso como um trabalho, uma sucursal dentro da periferia”, apontou. 

Ações inclusivas

Gabriela Augusto abordou que o trabalho de consultoria exercido por ela também possui uma série de desafios, pois ainda existem muitos gargalos nas questões de igualdade de gênero e inclusão de negros, pessoas com deficiência e LGBTQIA+.

“No meu dia a dia, tenho ajudado as organizações a definirem uma estratégia para entender onde estão e quais são os desafios atuais e, a partir daí, para aonde podem ir, quais são as metas e objetivos em relação à contratação de mulheres e à cultura da empresa para diminuir indicadores de assédio e de intolerância racial”, disse.

Por outro lado, a consultora também busca ajudar talentos a se desenvolverem de alguma maneira, “fazendo com que mulheres, pessoas com deficiência, pessoas negras e trans entendam a sua força”. “Quando a gente pensa em inclusão no mundo corporativo, a gente está pensando em inclusão enquanto potência, não em inclusão enquanto favor”, reforçou. 

A professora da ESPM aquiesceu, dizendo que se deve compreender isso como uma potência transformadora das relações de trabalho, que são, em sua maioria, representativas de apenas um grupo social, como o “macho adulto e branco sempre no comando”, retratado na música “O Estrangeiro”, de Caetano Veloso. 

Prêmio popular

A edição deste ano do Troféu Mulher Imprensa traz uma novidade. Até 13 de julho, leitores e seguidores do portal poderão indicar os finalistas para a categoria “Prêmio Popular: Pertencimento e Inovação”.

Para acompanhar todas as etapas da premiação, acesse informações no site do Troféu.

www.portalimprensa.com.br/trofeumulherimprensa


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