Rosane Borges fala sobre o ‘Sentido do pertencimento’ na abertura do Troféu Mulher Imprensa

| 15/06/2022 12:55

A diversidade no jornalismo e nas redações brasileiras continua sendo um grande desafio no século XXI e, por essa razão, é preciso criar meios de ampliá-la, pois só assim o jornalismo conseguirá ser um retrato mais fiel da realidade da sociedade brasileira. Esse foi o mote do primeiro bate-papo do programa de lançamento da 16ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA, veiculado na terça-feira, 14, diretamente dos estúdios da ESPM/SP, na capital paulista, com patrocínio da Bayer. 


O primeiro bloco de debates, que trouxe o tema “Sentido do Pertencimento”, foi conduzido pela jornalista Naiara Bertão, do jornal “Valor Econômico” e vencedora da categoria repórter de revista na 12ª edição do Troféu Mulher Imprensa, e teve como convidada a pesquisadora Rosane Borges, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).


Na opinião de Rosane, o tema “Pertencimento e inovação” é o tema do século. “A diversidade no jornalismo e nas redações ainda é um desafio. Muitas mudanças já ocorreram com a presença de jornalistas mulheres e homens negros. Mas, quando pegamos os censos nas redações, eles ainda refletem uma anomalia. Nossas redações não refletem a demografia brasileira. As pautas também não representam o que mais pulsa no tecido social”, disse.


Crédito:Deka Carvalho

Rosane ainda destacou a diferença entre diversidade e pluralidade. “Se a diversidade não vier acompanhada de pluralidade, ela pode ser uma armadilha. E por que digo que só a diversidade não basta? Porque você pode ter um ambiente jornalístico ou qualquer outro ambiente com pessoas negras, trans, PCDs (pessoas com deficiência), mas, do ponto de vista da cadeia produtiva, são grupos hegemônicos que continuam no comando”, pontuou.


Ambas as jornalistas destacaram que a voz de todo mundo deveria importar a fim de que os vieses sejam mais plurais. “O desequilíbrio de raça e gênero nas redações acabam perpetuando pontos de vistas apenas de determinados grupos sociais”, disse a professora. “O jornalismo, a gente sabe, tem hoje papel muito importante na busca pelo pertencimento de todos os grupos sociais”, observou Naiara.


O papel do jornalista ainda tem um “plus”, de acordo com Naiara, pois ele é um mediador da notícia, o que faz com que tenha ainda mais responsabilidade para ampliar as vozes na notícia.


Sobre isso, a professora destacou que, embora não seja mais um mediador exclusivo, o jornalista tem lugar de destaque por ser o mediador da informação balizada, qualificada e que pode ser checada.


Pauta contínua


Durante a abertura, o diretor e editor responsável da IMPRENSA Editorial, Sinval de Itacarambi Leão, destacou a importância do tema trazido este ano. “A pauta da mulher é contínua e deve permear o jornalismo o ano inteiro, ano após ano.” 


O tema “Pertencimento e inovação”, segundo ele, está conectado à pauta da diversidade, “que são causas demandadas na luta da sociedade civil para a construção de um estado de direito e democrático”. “Pensar em diversidade de gênero e raça em todas as atividades humanas, inclusive na comunicação e no jornalismo, é agir pelo desenvolvimento da humanidade e da democracia, como agiram muitas e muitos protagonistas do passado”, disse.

 

Ele ainda lembrou que, na edição do prêmio deste ano, foi criada uma categoria de consulta popular, para indicar a jornalista ou comunicadora que se destaca na relação com o público. As inscrições nessa categoria vão até 13 de julho, no site do prêmio.


Leia também


Troféu Mulher IMPRENSA terá lançamento com programa ao vivo sobre pertencimento e inovação


Veronica Goyzueta e André Trigueiro serão os mediadores das reuniões de pauta desta quarta, dia 15