Dez anos após crime, começa júri popular de acusados de matar jornalista Valério Luiz

Redação Portal IMPRENSA | 13/06/2022 09:51
Após adiamentos resultantes de manobras protelatórias executadas por advogados de defesa, o julgamento dos réus acusados de participação no assassinato do jornalista Valério Luiz, incluindo Maurício Sampaio, ex vice-presidente e atual vice-presidente do Conselho de Administração do clube Atlético-GO , está marcado para começar nesta segunda-feira (13), em Goiânia.

O julgamento deve ocorrer 9 anos após a Justiça determinar em 2013 que os réus fossem a júri popular. O jornalista foi assassinado aos 49 anos, em Goiânia, quando saía da rádio em que trabalhava, no dia 5 de julho de 2012. Segundo denúncia do Ministro Público, o crime foi motivado por críticas feitas pelo jornalista à diretoria do Atlético-GO. 
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Maurício Sampaio, do Atlético-GO: acusado de mandar matar jornalista Valério Luiz
Além de Sampaio, apontado como mandante, os réus são Urbano de Carvalho Malta, acusado de contratar o policial militar Ademá Figueiredo para cometer o homicídio contra o radialista; Ademá Figueiredo Aguiar Filho, apontado como autor dos disparos que mataram Valério; Marcus Vinícius Pereira Xavier, que teria ajudado os demais a planejar o homicídio; Djalma Gomes da Silva, que teria ajudado no planejamento do assassinato e também atrapalhado as investigações.

“Ele não morreu por nada particular, assim, de uma briga no bar. Ele não morreu por questões meramente pessoais. Ele morreu porque ele era um jornalista”, disse a promotora Renata de Oliveira Marinho Souza, em entrevista ao programa Fantástico deste domingo. 

Um dos adiamentos do júri popular ocorreu em abril de 2019, sob alegação de argumentos como precariedade de dormitórios para os jurados, falha no fornecimento de alimentos, falta de cadeiras confortáveis e até espaço limitado. O júri foi então remarcado para 2020, mas acabou adiado novamente, desta vez por conta da pandemia.

Filho da vítima, o advogado e assistente de acusação do Ministério Público de Goiás (MPGO) Valério Luiz Filho espera a condenação dos réus. “A justiça precisa acontecer para esse caso, porque essa é a única forma de fazê-los sentir que o que eles exterminaram tem valor, que a vida do meu pai tinha valor, que o trabalho dele tinha valor”, disse ao Fantástico.

Contexto

O crime ocorreu num contexto de crise no futebol do Atlético-GO. No primeiro semestre de 2012, o time estava na lanterna do Campeonato Brasileiro e tinha perdido o Campeonato Goiano para o Goiás Esporte Clube. Nesse cenário, Valério Luiz vinha fazendo várias críticas à diretoria. Em uma delas,  comentou: “Meu amigo, você pode olhar em filme de aventura, quando o barco está enchendo de água, os ratos são os primeiros a pular fora”.

Dois dias depois desse comentário, o clube proibiu a entrada de todos os jornalistas que trabalhavam com o radialista e disse ainda que ele era “persona non grata”. A proibição foi anunciada em uma carta, assinada pelo presidente do clube e por Maurício Sampaio. Duas semanas depois da carta, Valério Luiz foi assassinado quando saia da radio. 

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