Exército e PF participam de buscas a jornalista do Guardian desaparecido no Amazonas

Redação Portal IMPRENSA | 06/06/2022 15:16
Vistos pela última vez no fim de semana, na região da reserva indígena de Javari, no estado do Amazonas, o jornalista britânico Dom Phillips e o especialista em tribos indígenas isoladas Bruno Araújo Pereira, que há muito tempo recebe ameaças de madeireiros e garimpeiros, estão desaparecidos há mais de 24 horas. 

Colaborador do The Guardian no Brasil, Phillips também teria recebido ameaças nos últimos dias, durante as viagens que tem feito pelo interior da Amazônia para um livro sobre meio ambiente. 
Crédito: Gary Calton - The Observer
Gary Calton/The Observer
Dom Phillips (sentado) e o especialista em indígenas isolados Bruno Pereira: desaparecidos durante reportagem
Morando em Salvador. Phillips faz reportagens sobre o Brasil há mais de 15 anos, tendo publicado seu trabalho também em jornais como Washington Post, New York Times e Financial Times. Ele já havia feito uma expedição jornalística com Pereira à mesma região em 2018.

Nesta segunda-feira (6), líderes indígenas locais avisaram que os dois homens desapareceram durante uma reportagem na rede de rios ao redor da cidade de Atalaia do Norte, ponto de entrada na reserva Javari.

O grupo indígena Univaja disse que Phillips e Pereira partiram na semana passada de barco para uma região conhecida como Lago do Jaburu, chegando ao seu destino na noite de sexta-feira.

A dupla desapareceu no domingo, ao regressar por via fluvial a Atalaia do Norte. A viagem deveria levar menos de três horas, mas eles não chegaram e um grupo de busca foi enviado por volta das 14h.

Um porta-voz do Guardian News & Media disse que a empresa está em contato com a embaixada britânica no Brasil e autoridades locais e nacionais para tentar apurar os fatos o mais rápido possível. A Human Rights Watch disse estar extremamente preocupada com a situação.

A Polícia Federa e o Exército estão mobilizando tropas para ajudar nas buscas em conjunto com ativistas indígenas e ambientais.

Segundo líderes indígenas, a região do desaparecimento do jornalista ficou mais tensa e perigosa sob o governo Bolsonaro, quando foi assassinado em 2019 Maxciel Pereira dos Santos, um funcionário federal que atuava na proteção indígena.