No Afeganistão, repórteres e apresentadoras começam a cobrir o rosto por ordem do Talibã

Redação Portal IMPRENSA | 23/05/2022 10:10
Anunciada na quinta-feira (19) pelo Talibã, a ordem para que as jornalistas que trabalham em telejornais do Afeganistão cubram suas bocas e narizes enquanto estiverem no ar, deixando visíveis apenas os olhos, começou a ser cumprida neste domingo (22).  

Após dois dias de resistência, apresentadoras e repórteres dos noticiários das principais emissoras de TV afegãs apareceram com véus e lenços cobrindo as faces. Isso não acontecia desde 2001 e sinaliza um retorno à política extremista que comandou o país nos anos 1990. 

A agências internacionais, Sonia Niazi, apresentadora da emissora afegã ToloNews, disse que a empresa está sendo pressionada pelo regime religioso totalitário que controla o país a demitir todas as mulheres jornalistas que se recusarem a cumprir a regra. Diretor da ToloNews, Khpolwak Sapai acrescentou que não há outra escolha e que a mudança não foi voluntária.
Crédito:reprodução DW

Mulheres que trabalham no governo também serão demitidas se não cumprirem o novo código de vestimenta. As punições se estendem a pais, maridos e parentes próximos.

Solidariedade

Em solidariedade às colegas, jornalistas homens e funcionários da ToloNews cobriram os rostos com máscaras médicas enquanto trabalhavam neste domingo, conforme relatou a correspondente da BBC no Afeganistão Yalda Hakim. 

Mohamad Sadeq Akif Mahajar, do Ministério para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, afirmou estar feliz que as emissoras tenham "exercido corretamente sua responsabilidade".

Em março, o Talibã baniu do Afeganistão todos os meios de comunicação estrangeiros, por não conseguir regular o conteúdo transmitido, incluindo as roupas das repórteres.

A exigência de cobrir bocas e narizes femininos foi anunciada poucos dias após um decreto do Talibã ordenar a volta da burca de corpo inteiro para mulheres em público. Mulheres que não cobrirem o rosto fora de casa podem ser presas e ter pai ou parente mais próximo do sexo masculino demitido de emprego público. Ainda segundo o decreto, as mulheres que não tiverem trabalho importante devem ficar em casa.