AzMina integra equipe que vai monitorar discurso político misógino nas redes

Redação Portal IMPRENSA | 10/05/2022 10:32
Depois de adquirir experiência investigando e denunciando ataques que tentam deslegitimar mulheres jornalistas e políticas nas redes sociais, as profissionais da revista digital feminista AzMina desenvolveram, em parceria com colegas de trabalho da América Latina, uma ferramenta que vai monitorar essas violências nas próximas eleições presidenciais de 2022 no Brasil. 

As brasileiras Helena Bertho e Marina Gama Cubas da Silva formaram uma equipe com Fernanda Aguirre, do Data Crítica (México); Gaby Bouret, do La Nación (Argentina); e José Luis Peñarredonda, do CLIP (Colômbia) para desenvolver o que viria a ser o Monitor de Discurso Político Misógino.
Crédito:Reprodução
Nuvem de palavras extraída da ferramenta desenvolvida pelas jornalistas para monitorar discurso misógino
Nuvem de palavras extraída da ferramenta desenvolvida pelas jornalistas para monitorar discurso misógino
A ferramenta é uma API, interface de programação de aplicativos, e detecta por meio de um modelo treinado de Processamento de Linguagem Natural (NLP) o discurso de ódio contra mulheres em duas línguas - espanhol e português. 

Com o Monitor, será possível automatizar a análise das mensagens nas redes sociais para que as jornalistas foquem no que é necessário durante as investigações sobre violência de gênero. 

A equipe precisou editar um dicionário de termos misóginos criado anteriormente pela AzMina para treinar o modelo de aprendizado de máquina de PLN. Cada veículo em espanhol também criou o seu, e uma base de dados de termos ofensivos foi criada. 

O 'dicionário' contém insultos sobre aparência física, sobre o intelecto, à raça, sexuais e transfóbicos, entre outros. O modelo de processamento de linguagem é capaz de aprender as relações de contexto dentro de um texto. 

A ferramenta já está em funcionamento, mas a equipe deve continuar promovendo melhorias antes de passar a aplicá-la na produção jornalística. Em uma entrevista à LatAm Journalism Review, a gerente de jornalismo e projetos do AzMina, Beatriz Libório, afirmou que o grupo de trabalho planeja disponibilizar o monitor como uma ferramenta de código aberto no futuro. Antes disso, ele deve ser também utilizado na cobertura da campanha eleitoral. 

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