TJSP nega pedido de indenização feito à Globo por pai de criança assassinada em 2010

Redação Portal IMPRENSA | 09/05/2022 18:04
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou pedido de indenização feito à Globo Comunicação e ao médico e apresentador Drauzio Varella pelo pai de uma criança estuprada e assassinada em 2010.

Na ação, o pai da vítima alega que a reportagem “Mulheres trans presas enfrentam preconceito, abandono e violência”, que foi exibida pelo Fantástico e contou com uma entrevista da detenta "Susy", condenada pelo assassinato de seu filho, lhe causou abalo psicológico. 

Ao mostrar o cotidiano de mulheres trans em presídios masculinos, Drauzio Varella se solidarizou com “Susy”, que há oito anos não recebia visitas, e deu-lhe um abraço. 
Crédito: Reprodução
Médico e apresentador Drauzio Varella abraça "Suzy"em reportagem sobre cotidiano de detentas trans
O pai do menino assassinado também alegou que, devido à repercussão do caso, foi procurado por outros veículos de imprensa e teve que reviver o trauma. Seus advogados sustentaram ainda que a reportagem abusou do direito à informação e solicitaram indenização por danos morais no valor de R$ 200 mil.

Revolta

Todavia, contrariando decisão de 1a instância, o TJSP entendeu que a Globo e o médico não ultrapassaram o limite da liberdade de imprensa. Em sua decisão, a corte ressaltou entender a revolta do pai da vítima. Mas lembrou que a matéria não menciona o crime sofrido pelo filho do autor da ação, nem o nome da vítima. 

Em sua defesa, a Globo argumentou, além destes pontos, que a matéria narrou os fatos sem o conhecimento do crime cometido por "Suzy".

Para o TJSP, se a reportagem tivesse mencionado o crime e a vítima, “aí sim teria atingido a intimidade do autor, porque o teria feito reviver os fatos contra os quais, certamente, luta para esquecer”. 

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