No Dia Mundial da Liberdade de imprensa, organizações pedem garantias para as eleições 2022

Redação Portal IMPRENSA | 03/05/2022 09:24
Onze entidades da sociedade civil pediram, por meio de uma carta aberta, a garantia da liberdade de imprensa durante as eleições de 2022 no Brasil. Nesta terça-feira, comemora-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A preocupação gira em torno do dia a dia de trabalho dos profissionais envolvidos na cobertura do pleito. 

No texto, Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), Ajor (Associação de Jornalismo Digital), Artigo 19, Comitê para Proteção de Jornalistas, FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), 
FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), Instituto Palavra Aberta, Instituto Vladimir Herzog, Intervozes, Repórteres sem Fronteiras e Tornavoz alertam que "as eleições de 2022 no Brasil serão realizadas em um contexto de crescentes ataques a jornalistas, comunicadores e violações da liberdade de imprensa, que tendem a se agravar durante a campanha eleitoral."
Crédito:Reprodução
Organizações pedem garantias para a liberdade de imprensa nas eleições de 2022
Organizações pedem garantias para a liberdade de imprensa nas eleições de 2022
As organizações pedem para que as autoridades e a sociedade se engajem em uma "ação coletiva para garantir o livre exercício do trabalho jornalístico no período", destacando que desde as últimas eleições, em 2018 e 2020, profissionais de imprensa foram alvos de agressões físicas por parte de autoridades públicas, ofensas e discursos de descredibilização - principalmente com viés de gênero, remoção de conteúdo e censura, além da criminalização da atuação por meio de investigações policiais, incluindo casos baseados na Lei de Segurança Nacional. 

"Para fortalecer o processo democrático, autoridades e instituições dos três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – devem respeitar a liberdade de imprensa e, sobretudo, atuar de forma proativa para proteger jornalistas e veículos da imprensa, para que possam realizar seu trabalho de forma segura", diz o documento. 

"Convocamos a sociedade como um todo para defender o jornalismo e a liberdade de imprensa, particularmente neste período eleitoral. Trata-se de um esforço coletivo das organizações abaixo assinadas de se manterem alertas e vigilantes sobre este tema ao longo das eleições. É urgente que jornalistas e comunicadores possam fazer seu trabalho em segurança e sem risco de retaliações de qualquer tipo. Tal prática é essencial para a garantia de eleições democráticas e para a própria democracia", finaliza. Leia na íntegra. 

Unesco debate o jornalismo

Começou ontem, no Uruguai, o evento 'Jornalismo sob o cerco digital', promovido pela Unesco em comemoração ao dia 3 de maio. Em sua fala inicial, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, destacou que a tecnologia trouxe novos riscos à profissão. 

"Com a tecnologia digital, os riscos não são os mesmos do passado", disse ela, que reconheceu que "nunca a informação esteve tão acessível e as investigações [tiveram] tanto alcance, mas também [foram] tão encobertos e até abafados", afirmou. 

Para Azoulay, a liberdade, que "deveria ser um pilar das sociedades", foi "abalada pela tecnologia". 

Na abertura do evento, Antonio Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, afirmou que "sem liberdade de imprensa não há sociedades democráticas". 

Leia também: