Desinformação Climática: Twitter é o mais mal avaliado em ranking de redes sociais

Redação Portal IMPRENSA | 27/04/2022 09:57
As principais redes sociais falharam no combate à desinformação sobre as mudanças climáticas - essa é a conclusão de um relatório produzido por Avaaz, Friends od the Earth e Greenpeace EUA, 'In the Dark: How Social Media Companies' Climate Disinformation Problem is Hidden from the Public'. 

No documento, as organizações analisaram cada rede social com base em 17 quesitos desenvolvidos pela Coalizão contra a Desinformação Climática dos Estados Unidos, em um sistema de pontuação, e nesse ranking, Facebook, Pinterest, TikTok, Twitter e Youtube obtiveram uma pontuação considerada baixa. 
Crédito:Pixabay
Relatório analisa conduta das redes sociais diante da desinformação ambiental
Relatório analisa conduta das redes sociais diante da desinformação climática
O Twitter, comprado nessa semana pelo bilionário Elon Musk, teve o pior desempenho, conseguindo apenas 5 pontos de 27. Logo atrás estão Facebook e TikTok, com 9 e 7 respectivamente. 

Segundo os especialistas, o principal motivo é a falta de transparência sobre como eles responsabilizam infratores reincidentes em casos de desinformação e fake news. 

As organizações apontam que as empresas não tomam providências necessárias tanto na "liberação de relatórios semanais de transparência que detalham a escala e a prevalência da desinformação climática nas plataformas e os esforços para mitigar esses efeitos internamente" quanto no "fornecimento de detalhes consistentes para as ações tomadas sobre os infratores reincidentes de suas políticas, especialmente no contexto da desinformação sobre o clima"

Pinterest e Youtube foram os mais bem avaliados, com 14 pontos cada. No caso da rede social de fotos, a nova política de implementação que inclui uma definição sobre a desinformação climática auxiliou na avaliação. 

"As plataformas de mídia social - especialmente Facebook e Twitter - permitiram que os propagandistas modernos sabotassem os esforços dos cientistas e especialistas para salvar o planeta. Esta análise expande o que o IPCC identificou em seu último relatório - a disseminação perniciosa da desinformação climática através da mídia social é uma razão chave para o atraso na transição para a economia de energia limpa que precisamos para um futuro habitável", afirma Charlie Cray, Senior Strategist no Greenpace USA. 

"A resposta passiva e inescrutável das empresas de mídia social à desinformação climática permitiu-lhes aumentar seus números, ao mesmo tempo em que nos conduziu a um colapso planetário total. Isto deve terminar agora. Precisamos de mais transparência e ação agressiva antes que qualquer uma das plataformas possa reivindicar de forma credível a promoção das normas do discurso digital que são essenciais para nossa sobrevivência coletiva", completa. 

Em um relatório recente divulgado pelo Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a desinformação climática foi pela primeira vez eleita como a grande ameaça à ação climática em todo mundo. 

Na União Europeia, já há a discussão sobre como agir nesses casos - o Comitê Especial apontou, em um elatório, a urgência de frear a desinformação climática, e a necessidade da união dos esforços para adoção de uma definição universal. 

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