Procuradoria aciona Whatsapp sobre novo recurso chamado 'Comunidades'

Redação Portal IMPRENSA | 19/04/2022 11:32
A Procuradoria da República em São Paulo, órgão que integra o Ministério Público Federal (MPF), enviou ofício ao Whatsapp destacando que o novo recurso do aplicativo, batizado de "Comunidades", pode "representar real retrocesso" e facilitar a desinformação durante as eleições. 

A nova ferramenta foi anunciada ontem, e deve ser testada em todo o mundo. Segundo a empresa, as mudanças não entrariam em vigor antes das eleições de outubro, mas ainda assim, antes da posse, marcada para 1ª de janeiro. No recurso, administradores poderão reunir grupos aumentando o alcance de mensagens, o que pode fazer com que as notícias falsas cheguem a mais pessoas. 
Crédito:Pixabay
Whatsapp foi acionado pela Procuradoria em SP
Whatsapp foi acionado pela Procuradoria em SP
Atualmente, há o limite de 256 participantes para grupos no aplicativo. O novo recurso permitiria o envio de mensagens para 2.560 celulares. 

Segundo a procuradoria, o recurso "aumenta a possibilidade de viralização de conteúdos, e, assim, pode impactar gravemente as medidas adotadas pelo WhatsApp, nos últimos anos, para enfrentar práticas organizadas de desinformação e de violência no mundo digital".

A ferramenta, portanto,  "precisa ser vista com muito cuidado, pois pode, a depender de como vier a ser implementada, representar um real retrocesso do movimento de contenção de comportamentos abusivos potencialmente ligados à desinformação, que o WhatsApp, a princípio, vinha promovendo de forma eficiente nos últimos anos".

No pedido, a Procuradoria pergunta os "impactos que a nova funcionalidade trará sobre a atual política de enfrentamento à desinformação e violência digital", pede a explicação, em detalhes, sobre as novas possibilidades que a "Comunidade" trará aos usuários, e quais medidas serão adotadas para "compensar os riscos" de "uma flexibilização dos atuais limites à viralização de conteúdos". O Whatsapp terá dez dias para responder. 

Plataformas reforçam parceria com TSE

Conforme noticiado anteriormente pelo Portal IMPRENSA, as redes sociais firmaram um compromisso recentemente com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para dificultar a difusão de notícias falsas durante o período de eleições. O temor é que ocorrências como as registradas nos Estados Unidos em 2020 se repliquem pelo país. 

Segundo a Meta, que comanda o Facebook e o Instagram, um canal de denúncias facilitará o acionamento do órgão responsável em casos que violem as políticas das plataformas. Também serão criados rótulos para publicações que direcionam usuários para o site da Justiça Eleitoral, a exemplo do que foi feito com a covid-19. 

O Twitter prometeu identificar candidatos com etiquetas no perfil, adicionadas de forma obrigatória. Serão criadas seleções de fontes críveis na aba Explorar, Tendências e buscas para explicar narrativas falsas que circulam pela rede. A plataforma promete um time de curadoria exclusivamente dedicado às eleições e identificação de notícias falsas. Há ainda a possibilidade de remoção de conteúdo, diminuição de alcance e notificação de usuários que compartilham links sem ler. 

O Tik Tok criou um perfil para o TSE com informações sobre o processo eleitoral. O atalho para a página está no Descobrir. Hashtags serão acompanhadas de uma explicação sobre diretrizes e demais informações. 

Google e Youtube se concentram no veto ao conteúdo que alegue supostas fraudes, erros e problemas técnicos em eleições já realizadas, ou informações que atrapalham e confundem o processo eleitoral. 

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