RSF anuncia fundo de apoio a jornalistas forçados a deixar seus países

Redação Portal Imprensa | 18/04/2022 16:54
Em parceria com as fundações Rudolf Augstein e Schöpflin, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) lançou um fundo de apoio a jornalistas exilados. Batizada de JX Fund, a iniciativa apoiará profissionais de imprensa que foram obrigados a fugir de regiões em guerra e crise, oferecendo-lhes aconselhamento e assistência para desenvolver modelos sustentáveis de negócios fora de seus países.

Profissionais do jornal Novaya Gazeta e de outros dois veículos russos estão entre os primeiros beneficiados pela iniciativa. Aliás, o fundo foi inicialmente criado para apoiar jornalistas russos, que entraram na mira do Kremlin com o início da guerra na Ucrânia. Mas agora será usado para apoiar jornalistas de outras partes do mundo. Até o momento, o fundo conta com 1,5 milhão de euros e o objetivo é atingir o total de três milhões de euros.
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Escritório da RSF em Lviv, Ucrânia: assistência a jornalistas que cobrem a guerra presencialmente
"É essencial garantir o futuro do jornalismo em nossos respectivos países, e também nos quatro cantos do mundo. Se o jornalismo russo, por exemplo, morresse, seria uma verdadeira catástrofe para o povo russo, mas também para os países europeus, para suas instituições e suas sociedades democráticas. É essencial continuar investigando e publicando relatórios sobre o regime e a sociedade russos se quisermos preservar a paz e a democracia futuras no país, mesmo que esse trabalho deva ser realizado do exterior, se necessário. É por esta razão que criámos, com os nossos parceiros, este fundo europeu para esclarecer as zonas cinzentas", diz Christophe Deloire, secretário-geral da (RSF).

Para tirar os planos do papel, a RSF Alemanha recrutou em Berlim uma equipe que trabalha diretamente com sua sede internacional em Paris. 

Jornalistas russos ameaçados

Além do fundo, a RSF destacou que vem trabalhando, por meio de seu Centro de Liberdade de Imprensa em Lviv, na Ucrânia, para atender às necessidades de jornalistas que cobrem a guerra. A entidade distribui capacetes, coletes à prova de balas e manuais de segurança, além de fornecer apoio psicológico e assistência financeira e jurídica.

Após o início da guerra na Ucrânia, a Rússia fechou o cerco às informações independentes. Novas leis proíbem o uso do termo "guerra" para se referir ao conflito ucraniano e ameaçam os jornalistas que dão uma visão diferente do discurso oficial imposto pelo Ministério da Defesa. Os profissionais de imprensa que pisarem fora da linha estão sujeitos a penas de até vários anos de prisão.

Com isso, centenas de profissionais de notícias russos, que resistiram por muito tempo à pressão imposta pelas autoridades e que desafiaram a propaganda do Kremlin publicando informações independentes, deixaram o país.