Cobertura de pautas indígenas evoluiu em 10 anos, mas ainda é insuficiente, diz pesquisa

Redação Portal Imprensa | 13/04/2022 15:56
Lançada no último dia 11 como parte das celebrações do Abril Indígena, uma pesquisa sobre as percepções da sociedade a respeito dos povos indígenas no Brasil revelou que pautas ligadas ao tema se tornaram mais visíveis na imprensa durante a última década. 

Conduzido ao longo de 2021, com coordenação da jornalista Cristiane Fontes, especialista em agenda socioambiental, o projeto contou com 350 entrevistas, incluindo pessoas engajadas e não engajadas com questões indígenas, e está disponível na íntegra no site Narrativas Ancestrais, Presente do Futuro.
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André Trigueiro, Rubens Valente e Eliane Brum foram os jornalistas mais citados pela cobertura de pautas ligadas à temática indígena. Entre os programas jornalísticos, foram destacados Jornal Nacional e Fantástico, além do Falas da Terra, também da Globo.

A pesquisa ressaltou ainda o trabalho de veículos independentes na cobertura do tema, como Repórter Brasil, Agência Pública, InfoAmazonia e Amazônia Real. 

Já os veículos tradicionais mais mencionados como fonte de informação sobre questões indígenas foram Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, CNN, GloboNews, Jornal Nacional e Jornal da Record. 

Cobertura insuficiente

Para parte dos entrevistados, o aumento da cobertura de temas indígenas resulta de mudanças comportamentais, como o enfrentamento ao racismo e a agenda de representatividade e diversidade. Apesar dos avanços, os participantes do estudo consideraram o incremento da cobertura sobre os povos indígenas “insuficiente” e “insatisfatório” e destacaram a necessidade de dar mais visibilidade aos povos de outros biomas brasileiros.

A generalização, o uso de termos inadequados e o fato de jornalistas ouvirem cientistas, e não indígenas, como especialistas, também foram incluídos entre os pontos fracos da cobertura do tema, assim como a falta de reportagens sobre o cotidiano dos povos indígenas em seus territórios.

A crise financeira da imprensa foi descrita como uma limitação para a produção de reportagens investigativas sobre pautas ligadas a questões indígenas, restringindo o que a sociedade brasileira sabe sobre o tema.

A Ipsos conduziu a pesquisa com os públicos não engajados, que contou com 100 entrevistas com pessoas de perfil conservador e formadores de opinião - economistas, lideranças políticas, líderes empresariais e jornalistas regionais.

Por sua vez, as 250 entrevistas com pessoas engajadas e interessadas na temática indígena contemplaram ativistas, antropólogos, cineastas, jornalistas, representantes de ONGs nacionais e internacionais, artistas, juristas, comunicadores e lideranças de organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas e indigenistas do país, além de cientistas políticos, comunicólogos, editores, autores e representantes de agências de pesquisa de tendências de comportamento e inovação. 

Os pesquisadores também ouviram algumas das principais vozes indígenas hoje no Brasil, incluindo artistas, pesquisadores, comunicadores e influenciadores digitais.

As redes sociais também foram analisadas a partir de mais de 9,7 milhões de postagens no Facebook, Instagram, Twitter e YouTube sobre pautas relativas aos povos tradicionais. No caso do Facebook, YouTube e Instagram, a análise cobriu uma década, entre 2011 a 2021; no Twitter, o período analisado foi 2019 e 2021.