Discussão sobre exclusão de conteúdo é recorrente

Redação Portal IMPRENSA | 08/04/2022 10:03
No dia do jornalista, o repórter Marcelo Paranhos, do site Realidade Capixaba denunciou uma tentativa de censura amparada pela Justiça do Espírito Santo. 

Ontem (7), a juíza Simone de Oliveira Cordeiro, da 3ª vara criminal de Guarapari (ES), determinou a retirada do ar de nove vídeos produzidos pelo veículo na internet. Segundo ele, o material traz denúncias de supostas irregularidades cometidas por Uchôa à frente do Sesc. 
Crédito: Reprodução
Foto publicada pelo jornalista Paranhos
Entre elas, estão denúncias sobre possíveis casos de corrupção envolvendo o responsável pelo Sesc, e a prefeitura de Guarapari. Há ainda uma eventual relação entre Uchôa e a morte do empresário Thiago Nossa, assassinado no dia 11 de novembro de 2021 com tiros e golpes de faca.

Paranhos publicou um longo desabafo em seu canal do Youtube, questionando a decisão da magistrada e a condução das investigações sobre a morte do empresário. 

"A juíza determinou que eu retire nove vídeos do ar, em que eu denuncio as irregularidades praticadas pelo sr. Gutman Uchôa de Mendonça à frente do Sesc. Junto com meus vídeos, a juíza silenciou o funcionário que denunciou Gutman de preconceito religioso, o empresário que denunciou Gutman de fazer lobby na prefeitura de Guarapari para beneficiar o mandante do assassinato do Thiago Nossa, também foi silenciado", diz ele, no último vídeo publicado.

"O funcionário do Sesc que disse ser obrigado a trabalhar de graça na fazenda do Gutman, silenciado. Outro funcionário que revelou fatos sobre o castelo de Guarapari, também foi silenciado. E essa foto, em que Gutman aparece com o prefeito de Guarapari, Edson Magalhães, e o mandante do assassinato de Thiago Nossa, também foi retirada do ar. A obra da nova Av. Paris, que o próprio Thiago Nossa admitiu estar irregular ao Ministério Público, também foi retirado do ar", concluiu.

Gutman publicou uma coluna no jornal ES Hoje com ameaças às fontes de Paranhos por serem anônimas. O diretor do Sesc afirmou que "não existe nada pior no mundo do que o anônimo. O anônimo é sórdido, covarde, mentiroso. Merece morrer. Morte aos anônimos, sem endereço, sem dignidade". 

No vídeo, o jornalista lembra que o sigilo da fonte é garantido pela Constituição Federal. "Se a justiça lhe protege censurando um jornalista, imagina o que faria com um limpador de piscina, um jardineiro, uma cozinheira", indagou. 


Por meio do seu advogado, o diretor do Sesc afirmou que as informações são falsas, e que a Justiça "vem tentando localizar" Paranhos para que "cessem as publicações", sem sucesso. "Esse jornalista omite a verdade, deixando de transcrever os trechos que lhe são desfavoráveis", diz trecho do documento. 

Confira os posicionamentos na íntegra:

"Em dezembro de 2021 iniciaram ataques à imagem do SESC e principalmente de seu Diretor, Sr. Gutman Uchôa de Mendonça. As informações falsas vem sendo repetidamente divulgadas em um site hospedado em servidor fora do Brasil e em canais do YouTube, tendo sido ajuizados processos para que essa pessoa de nome PAULO MARCELO PARANHOS DE QUEIROZ cesse com as publicações de informações falsas, possibilitando inclusive que o mesmo se defenda dos crimes cometidos.

Desde então, a Justiça vem tentando localizar essa pessoa que se diz jornalista, constando nos autos do processo ter sido localizado o mesmo como funcionário do Governo do Estado do Espírito Santo, com diligência realizada para notificação do mesmo, o que não foi possível porque, segundo certidão do Oficial de Justiça, ele estaria realizando serviço externo. Mas quando do retorno do oficial de Justiça no dia seguinte para cumprimento do mandado judicial, foi informado que o dito jornalista teria pedido exoneração do cargo público, feito isso por mensagem de aplicativo.

Conforme está comprovado no processo judicial, essa pessoa que se diz jornalista faz de tudo para não ser localizado, havendo no site apenas um e-mail e um número de telefone celular, que quando acionados para direito de resposta ou mesmo notificação oficial, mantém-se no silêncio.

Ressalta-se que em nenhum momento o SESC, ou mesmo o diretor Gutman Uchôa de Mendonça foram procurados para rebater as acusações falsas, e quando tentaram contato com os canais indicados no site “REALIDADE CAPIXABA”, não obtiveram nenhum retorno, comprovando que a intenção desse jornalista é apenas repetir mentiras e denegrir a imagem das pessoas e das instituições, não havendo compromisso com a verdade ou com a ética profissional.

Tanto é verdade, que até citando a decisão referida, esse jornalista omite a verdade, deixando de transcrever os trechos que lhe são desfavoráveis.

Todas as informações podem ser obtidas no processo registrado sob o número 0000232-81.2022.8.08.0021, que tramita na 3ª Vara Criminal de Guarapari.

A verdade virá à tona, o único problema é que as mentiras propagadas são difíceis de serem apagadas. Mas quem está com a verdade, aquele que se apresenta para contradizer as alegações falsas, ou aquele que se esconde para não ser localizado."

"Questionado sobra a coluna de opinião escrita por Gutman Uchôa de Mendonça, quando utiliza a expressão 'MORTE AOS ANÔNIMOS', trata-se apenas de uma externalização do sentimento de revolta contra aqueles que se escondem para não responder por seus crimes.

É uma expressão comumente utilizada por aqueles que são atacados levianamente e que não possuem meios de se defender porque os que atacam temem a verdade e se escondem no anonimato.

Não é a primeira vez que a expressão é utilizada na história, inclusive, se avaliar a coluna de opinião escrita, relata um fato vivenciado pelo colunista, em que uma autoridade pública rechaça o anonimato."

Discussão sobre exclusão de conteúdo também no Mato Grosso

Também nesta quinta-feira, a juíza Sini Savana Bosse Saboia Ribeiro, ordenou que o deputado Elizeu Nascimento (PL) apague um vídeo publicado com um discurso do deputado Wilson Santos (PSB). Wilson pediu a exclusão do material e uma indenização de R$ 20 mil no caso.

Na gravação, após uma discussão sobre uma operação que prendeu policiais em Mato Grosso, Elizeu mandou Wilson "lavar a boca antes de falar sobre a Polícia Militar", e disse que o adversário político defendia bandido. O deputado do PSB afirma que suas falas foram retiradas de contexto. 

"Aduz que na mesma data o requerido usou sua rede social, Instagram, para divulgação de um vídeo usando técnica de montagem, utilizando a imagem do autor sem sua autorização e com fala fora do contexto relatado na sessão extraordinária, o fazendo de forma que não refletisse a realidade do ocorrido, com claro intuito de transmitir mensagem errada para a população que o acompanha, ou seja, fake news. Frisa que a publicação possui mais de 4 mil visualizações e vários comentários ofensivos e em tom de ameaça ao autor", dizem os autos. 

Elizeu terá que apagar o conteúdo em até 24 horas, e em caso descumprimento da decisão, a multa está fixada em até R$ 10 mil. 

Leia também: