Estudo avalia representatividade feminina em mensagens do Twitter

Redação Portal IMPRENSA | 08/03/2022 12:53
Uma pesquisa realizada pela consultoria de comunicação LLYC analisou a representatividade das mulheres por meio do mundo digital. 

O relatório levou em consideração a interação de 360 homens e 360 mulheres durante todo o ano de 2021 em 12 países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, México, Panamá, Peru, Portugal e República Dominicana. 

Em mais de 11 milhões de mensagens publicadas referentes aos setores de negócios, política e jornalismo, e chama atenção para alguns números. 
Crédito:Freepic
No Dia da Mulher, estudo avalia representatividade feminina em mensagens do Twitter
No Dia da Mulher, estudo avalia representatividade feminina em mensagens do Twitter
Ao todo, 70% do total das conversas abordavam políticos e políticas; 26% são referentes a empresas privadas e 3% sobre jornalistas. 

Em países como o Brasil, a discussão política aflorada taz como consequência a diminuição das conversas sobre líderes empresariais. Nesse contexto, as empresárias ficam ainda mais invisibilizadas, já que apenas 5% das mensagens dessa categoria as mencionam. 

O relatório convida à reflexão. "A conclusão é clara: na conversa digital, a mulher gerencial praticamente não existe, e apenas 1 mensagem sobre líderes em 100 se refere a mulheres no mundo dos negócios". 

O jornalismo despontou como uma das áreas onde a conversa pode ser considerada mais equiparada - no entanto, ainda há o que melhorar. Enquanto as redações se tornam cada vez mais igualitárias, cargos de chefia ainda são ocupados majoritariamente por homens. 

"Essa maior presença de mulheres em jornais, rádios, canais de televisão e mídias digitais, em uma profissão que não pode deixar de participar das redes e é particularmente ativa no Twitter, se reflete nos resultados. A visibilidade das mulheres jornalistas é consideravelmente maior que a dos homens nos Estados Unidos (25% a mais) e, das três áreas estudadas (negócios, jornalismo e política), aquela com maior percentual de menções para mulheres é registrada na Ibero -América (37,07% do total)", diz o texto. 

Brasil, República Dominicana e Peru se destacam nessa estatística. Nesses países, mais de 70% das mensagens relativas ao jornalismo se referem às mulheres. 

Violência 

Quando o assunto são as mensagens violentas, que segundo o relatório seriam as que contém insultos, palavrões ou ameaças, os homens aparecem na frente. 

Elas são 3,65% das conversas analisadas. Em 28,9% dos casos, a violência é de homem a homem; em 22,6%, de homens contra mulheres, de 21,2% de mulheres a mulheres; e por fim, 27,3% de mulheres a homens. 

"É preciso lembrar que apenas a conversa em uma rede social está sendo medida e gerada em torno de certas personalidades, tanto homens quanto mulheres. Portanto, essas conclusões não devem ser extrapoladas para outras redes ou para a conversa geral ou assédio sofrido pela população em geral e pelas mulheres em particular, em suas interações digitais. Na verdade, o Pew Research Center estimou em 2021 que 4 em cada 10 norte-americanos teriam sofrido algum tipo de assédio nas redes", reforça o estudo. 

Os empresários são os que mais sofrem agressões verbais. Entre as mulheres, as jornalistas são as mais expostas.

De acordo com os condutores do estudo, o aumento da presença feminina nas conversas faz com que eventuais erros de percepção sejam mais rapidamente corrigidos. 

"Que jornalistas e políticas sofram menos com o viés da dupla punição não é por acaso. Os dados deste estudo mostram que, apesar de ainda sub-representadas, sua maior visibilidade na esfera pública em relação às empresárias normaliza diferentes modelos de sucesso e contribui para qualidades que não são mais masculinizantes ou feminilizantes. Assim, a ambição pode deixar de ser menos percebida no futuro se for personificada por uma mulher, ou a vulnerabilidade pode passar de exceção a uma forma diferente, mas habitual, de exercer a liderança", conclui.


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