Cobertura das eleições é diretamente afetada pela diversidade, aponta estudo

Redação Portal IMPRENSA | 21/02/2022 11:32
Um estudo publicado na revista State Pilitics and Policy Quarterly analisou a cobertura da imprensa das eleições do ponto de vista da diversidade. 

A pesquisa comparou a chamada "cobertura de traços", onde características de status socioeconômico e outras partes da identidade social do candidato, com as coberturas focadas nas políticas que eles defendem. 

Os autores descobriram que a "a probabilidade de notícias com características positivas aumenta drasticamente quando o público minoritário em idade de votar constitui uma grande parte da população da área de circulação do jornal". 
Crédito:Freepic
Pesquisa foi liderada por especialistas da Universidade do Alabama e da Universidade do Norte do Texas
Pesquisa foi liderada por especialistas da Universidade do Alabama e da Universidade do Norte do Texas

Já em casos onde o público leitor representava 90% em termos de diversidade, os não brancos que tinham quase 5% mais chances de uma cobertura favorável. 

O efeito da diversidade na redação, no entanto, causa efeito contrário: quando o número de não brancos nas redações aumenta, a cobertura baseada em características de candidatos não brancos não cresce junto. 

Em números, os estudiosos notaram que em redações com 10% de funcionários não brancos, a probabilidade da cobertura positiva das características de candidatos não brancos foi de 3,12% - maior que para brancos. 

Nas mídias com 90% de funcionários não brancos, a probabilidade de candidatos não brancos receberem cobertura favorável foi de 4,86%. 

"Pensávamos que, se você tivesse mais jornalistas de minorias na redação, a cobertura de características de candidatos minoritários seria positiva. Que os candidatos receberiam mais cobertura favoráveis e assim por diante. Mas, surpreendentemente, descobrimos que quando você têm mais jornalistas minoritários na redação, são os candidatos brancos que obtêm uma cobertura mais positiva e excelente", afirmou Newly Paul, professora do curso de jornalismo da Universidade do Norte do Texas. 

Ou seja: contratar uma equipe composta por jornalistas que fazem parte das chamadas miorias, como ação isolada, não resolve o problema. 

"Há uma necessidade de se afastar desse tokenismo [inclusão simbólica]. Não é suficiente preencher cotas para repórteres de certas origens étnicas porque é importante perguntar: esses jornalistas são capazes de usar todo seu pontencial para fazer o tipo de mudança que o público deseja? Além disso, eles são capazes de mudar o conteúdo tanto quanto pesquisam?"

Segundo a pesquisadora, "as redações devem permanecer cientes e engajadas com suas comunidades, considerar quais abordagens de cobertura política irão servir a elas e oferecer informações suficientes sobre os candidatos e suas plataformas para permitir o envolvimento do público."

Newly assinou o artigo com Mingxiao Sui, da Universidade do Alabama. Elas utilizaram três fontes de dados: um banco de dados com os candidatos que concorreram aos cargos no país em 2012, que apresentava dados de raça, etnia e gêneros políticos, além de um banco de notícias chamado Access World News, que tem uma coleção abrangente de reportagens sobre os candidatos.

Por fim, o censo de redação da American Society of News Editors (Sociedade Americana de Editores de Jornais), essencial para determinar a composição racial das redações.

A dupla restringiu a procura por artigos publicados entre 1º de setembro de 2012 e 6 de novembro de 2012, data das eleições. Mais de 1 mil artigos e quase 600 candidatos estaduais em 13 estados dos EUA foram analisados. 

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