Procurador-geral de MG usa força do cargo para perseguir repórter, alerta Abraji

Redação Portal IMPRENSA | 18/02/2022 14:45
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) criticou o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior, por ter ajuizado ações contra o jornalista Thiago Herdy, em função da publicação de uma reportagem no UOL sobre o acordo compensatório de R$ 37,7 bilhões relativo à tragédia de Brumadinho.

Assinado pelo governo de Minas e pela Vale, o documento teve Soares Júnior como um de seus negociadores. 

Além das ações, o procurador-geral de Minas providenciou uma petição endereçada à promotoria criminal, subordinada a ele, com pedido de investigação contra Herdy. 
Crédito:Edilson Rodrigues/Agência Senado

Ex-presidente da Abraji (biênio 2016-2017), o jornalista publicou reportagem indicando que o procurador-geral, ao negociar o acordo, pediu a construção de uma ponte no valor de R$ 113 milhões ligando as cidades de São Francisco e Pintópolis.

600 quilômetros de Brumadinho

De acordo com a matéria, a obra fica a mais de 600 quilômetros de Brumadinho e beneficiará a região onde Soares Júnior foi criado e onde vivem integrantes de sua família. 

A matéria destaca ainda outras obras em cidades distantes de Brumadinho que foram inseridas no acordo. Mas só a ponte teria sido incluída por força da ação direta do procurador-geral de Minas. 

"É extremamente preocupante que, ao se sentir ofendido em sua honra, um procurador-geral, chefe do Ministério Público, use a estrutura de seu gabinete e a força de seu cargo para pedir ao próprio MP que investigue e processe um repórter que escreveu uma matéria sobre ele. É lastimável e condenável a tentativa de criminalizar um jornalista por exercer seu papel de informar. Trata-se de clara prática intimidatória ao exercício da liberdade de imprensa. Os processos contra jornalistas na esfera criminal são típicos de períodos e regimes autoritários e têm se multiplicado pelo país", diz nota da Abraji 

Ainda de acordo com a entidade, foram solicitadas ao MP mineiro informações sobre os processos anunciados pelo procurador-geral, assim como cópias das petições. Até o momento da publicação desta nota, a entidade não havia recebido nenhuma resposta. 

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