Só 21% das crianças receberam a primeira dose da vacina: efeito da desinformação

Redação Portal IMPRENSA | 17/02/2022 16:51
Nota técnica divulgada nesta quarta-feira (16) pelo Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz afirma que o grande volume de desinformação sobre as vacinas contra a doença está causando atrasos na imunização de crianças e prejuízos ao enfrentamento da pandemia e à saúde dos brasileiros, especialmente em um momento de volta às aulas presenciais nas escolas.

O documento ressalta que o ritmo de imunizações caiu a partir do final de janeiro. Não por acaso, foi quando apoiadores do presidente Jair Bolsonaro intensificaram os ataques à vacinação de crianças. 
Crédito: Reprodução

A nota destaca que a média nacional de cobertura da primeira dose na faixa etária de 5 a 11 anos é de somente 21%, e que apenas 7 Unidades Federativas ultrapassaram essse índice: Rio Grande do Norte (32,6%), Sergipe (23,9%), Espírito Santo (21,9%), São Paulo (28,1%), Paraná (28,6 %), Rio Grande do Sul (23,2%) e o Distrito Federal (34,6%)”.

O pior desempenho está no Amapá, com só 5,3% da população na faixa etária entre 5 e 11 anos vacinada.

Aumento de internações
“Quando crianças não são vacinadas, cria-se um grupo suscetível a contrair a Covid-19. (...) Num cenário em que apenas este grupo não está imunizado, ele se torna particularmente vulnerável à infecção e à disseminação do vírus, inclusive entre outros grupos etários”, alerta a entidade, acrescentando que o número de internações de crianças infectadas aumentou em números absolutos e em comparação às demais faixas etárias.

A Fiocruz também sublinhou que as vacinas são seguras. “Agências de saúde de vários países continuam afirmando que as vacinas são seguras e que o número de eventos relatados é pequeno frente aos milhões de doses que já foram aplicadas nessa faixa etária”.

Na quarta-feira (16), o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, compareceu à Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, onde confirmou que o número de ameaças à Anvisa saltou de três para 458 após Bolsonaro ter cobrado o nome dos servidores que autorizaram o início das imunizações em crianças, em dezembro.

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