Condenação de jornalista acende alerta de ataques à liberdade de imprensa no Peru

Redação Portal Imprensa | 10/01/2022 18:09
A Justiça peruana condenou nesta segunda-feira, 10 de janeiro, o jornalista investigativo Christopher Acosta e seu editor, Jerónimo Pimentel, a dois anos de pena privativa com suspensão condicional pelo crime de difamação qualificada contra o ex-candidato presidencial e poderoso empresário César Acuña.

De acordo com a sentença, os jornalistas deverão cumprir regras de conduta para não serem mandados à prisão.

A pena decorre da publicação do livro "Plata como cancha", pela editora Penguin Random House. A obra denuncia casos de impunidade e enriquecimento ilícito envolvendo Acuña, que é líder do partido Aliança para o Progresso e foi candidato presidencial nas eleições de 2021.
Crédito: Reprodução Blognesi Noticias
Além da pena privativa, o juiz Raúl Vega condenou o autor do livro a pagar uma multa de cerca de 100 mil dólares como indenização a Acuña. De acordo com o juiz, diversas frases contidas no livro e atribuídas ao político são apócrifas e ofensivas.

Os jornalistas e a editora, por sua vez, alegam que todas as declarações podem ser comprovadas.

Embargo
Após a publicação do livro, no início de 2021, o político e empresário rapidamente ingressou com um processo judicial solicitando o embargo dos bens dos jornalistas e da editora. 

A defesa de Acosta já adiantou que recorrerá da condenação criminal e do requerimento de reparação civil.

Entidades em defesa da liberdade de imprensa já começaram a condenar a sentença. O Instituto de Imprensa e Sociedade e o Conselho de Imprensa Peruano advertiram que o processo coloca em risco a liberdade de imprensa e de expressão no país.

"Estamos diante de algo bastante prejudicial, de um verdadeiro atentado contra a liberdade de expressão”, disse a diretora do Instituto de Imprensa e Sociedade, Adriana León.