Após perseguir jornais, China começa a fechar sites de notícias em Hong Kong

Redação Portal Imprensa | 04/01/2022 15:55
A censura que a China vem aplicando a órgãos de imprensa de Hong Kong fez mais uma vítima. Nesta terça-feira, 4 de janeiro, o site de notícias Citizen News anunciou o término de suas atividades.

Um dos últimos veículos independentes publicados em inglês na ex-colônia britânica, o site teria irritado as autoridades particularmente por sua cobertura dos protestos populares pró-democracia e contra a influência chinesa, que tomaram conta de Hong Kong em 2019. Antes de fechar, o veículo retirou do ar praticamente todos os artigos de opinião.

Dentre outros crimes fantasiosos, oficialmente a imprensa de Hong Kong tem sido acusada de ferir a legislação de segurança nacional implantada pelo governo chinês em 2020, após fortes protestos populares. Na prática, porém, as retaliações e punições decorrem do trabalho dos veículos de expor a corrupção em altos cargos do governo chinês. 

Crédito: Reprodução
Censura à imprensa de Hong Kong teria sido causada por cobertura dos protestos pró-democracia e contra influência chinesa






Para evitar o livre trabalho da imprensa, a China tem feito operações policiais nas redações de diferentes veículos de Hong Kong, além de adotar medidas de sufocamento financeiro, incluindo bloqueio de bens e recursos.

Perseguição
Na semana passada, o Stand News, outro site de notícias de Hong Kong crítico a Pequim, foi alvo de uma operação policial que prendeu sete de seus funcionários, incluindo uma famosa cantora pop que foi membro de seu conselho, Denise Ho, e um dos editores que presidia a Associação de Jornalistas de Hong Kong. 

Para muitos observadores, a perseguição chinesa à imprensa de Hong Kong teve seu ápice em junho de 2021, com o fechamento forçado do famoso jornal Apple Daily. Seu proprietário, Jimmy Lai, de 74 anos, atualmente cumpre pena por condenações relacionadas aos protestos de 2019. Ele é um dos jornalistas mais velhos presos no mundo. 

Os veículos de Hong Kong fechados pelo governo chinês haviam ampliado seu público com a cobertura dos protestos pró-democracia. Muitos vinham registrando audiência crescente. 

A perseguição chinesa à imprensa de Hong Kong tem potencial para tornar-se um problema internacional, já que rompe garantias de liberdade de expressão e de imprensa presentes em acordo de 1997 selado entre a Grã-Bretanha e a China.

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