Decisão de extraditar Assange é criticada por líderes de esquerda, Rússia e entidades

Redação Portal IMPRENSA | 13/12/2021 17:26
Fazendo coro às manifestações de entidades de defesa da liberdade de imprensa de diferentes partes do mundo, o Grupo de Puebla, que reúne líderes e partidos de esquerda, divulgou uma carta neste domingo, 12 de dezembro, pedindo a libertação de Julian Assange, fundador do WikiLeaks.

Na última sexta-feira, 10 de dezembro, ironicamente Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Justiça britânica aceitou um recurso para que Assange seja extraditado aos Estados Unidos e lá enfrente as acusações do governo americano, incluindo espionagem e conspiração.

Desde abril de 2019, Julian Assange está na prisão britânica de Belmarsh, em Londres, após ser preso pelas forças britânicas na embaixada do Equador.
Crédito: Reprodução FSP
Assange quando foi levado da embaixada do Equador para uma prisão em Londres, em 2019

Jornalista e fundador do Wikileaks, ele divulgou documentos que indicam crimes de guerra cometidos pelos EUA, incluindo um vídeo que mostra a execução por militares americanos a bordo de um helicóptero dos EUA no Iraque, em 2007, de pelo menos 18 civis, incluindo dois jornalistas da agência Reuters. 

Com a extradição, o fundador do WikiLeaks será julgado nos EUA pela publicação desse e outros milhares de documentos confidenciais sobre a participação do governo americano em uma série de conflitos armados e operações militares, incluindo as invasões do Afeganistão e do Iraque.

Liberdade de expressão 

A carta do Grupo de Puebla foi assinada pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Fernando Lugo (Paraguai) e Ernesto Samper (Colômbia). Do Brasil também assinaram o ex-chanceler Celso Amorim e o ex-ministro Aloizio Mercadante. 

Eles afirmam que a decisão da Justiça britânica "abre sérios precedentes na violação ao direito à liberdade de expressão e de informação".

Ainda de acordo com a carta, o material publicado pelo WikiLeaks fornece evidências "confiáveis e irrefutáveis sobre o papel e a responsabilidade de políticos, diplomatas, empresários etc., principalmente dos Estados Unidos, nas decisões e ações que tiveram um forte impacto na política interna de diversos Estados no mundo todo. São responsáveis por processos de extorsão, espionagem, operações secretas, desestabilização e até ataques armados contra civis."

Representantes e líderes de outras partes do mundo também condenaram a decisão da justiça britânica. Porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova classificação a extradição como "mais uma ilustração da visão canibalesca do mundo pelos predadores anglo-saxónicos”.

Secretário-geral da ONG Repórteres Sem Fronteiras, Christophe Deloire disse em comunicado que a extradição vai "prejudicar o papel fundamental dos jornalistas e editores em escrutinar governos e expor as suas falhas”.

Por sua vez, o responsável da Amnistia Internacional para a Europa, Nils Muiznieks, apontou que a acusação representa “uma grave ameaça à liberdade de imprensa".