Mais uma vez: Seguranças e apoiadores de Bolsonaro agridem imprensa na Bahia

Redação Portal IMPRENSA | 13/12/2021 10:42
Aconteceu mais uma vez. Durante a cobertura das enchentes causadas pelo ciclone na região sul da Bahia, equipes da TV Aratu, afiliada do SBT, e TV Bahia, afiliada da TV Globo foram agredidas por seguranças, apoiadores e até mesmo um dos secretários da cidade. 

Os jornalistas acompanhavam a chegada de Bolsonaro a Itamaraju. Ao descer do helicóptero, o presidente seguiu em direção à lateral do campo do estádio municipal Juarez Barbosa. As equipes tentaram se aproximar, mas foi impedida. 
Crédito:Reprodução
Antonio Charbel, secretário de Obras de Itamaraty, puxou os microfones e rasgou a espuma do equipamento da TV Bahia e agrediu a equipe de jornalistas
Antonio Charbel, secretário de Obras de Itamaraty, puxou os microfones e rasgou a espuma do equipamento da TV Bahia e agrediu a equipe de jornalistas
Um dos seguranças segurou a repórter Camila Marinho pelo pescoço, fazendo um "mata-leão". No tumulto, a imagem não foi registrada. Outro segurança tentou impedir que os microfones erguessem os microfones em direção ao presidente sob a justificativa de que estavam batendo em suas costas. 

"Se bater de novo eu vou enfiar a mão na tua cara. Não bata em mim, não bata em mim", disse. 

Até um secretário municipal partiu para a agressão. Antonio Charbel, secretário de Obras de Itamaraty, puxou os microfones e rasgou a espuma do equipamento da TV Bahia. Uma pochete da repórter também foi arrancada. Xico Lopes e Dário Cerqueira, da TV Bahia, também relataram agressões. 

Mais tarde, a assessoria da Presidência reuniu os repórteres dentro de uma escola, e se desculpou. Governador da Bahia, Rui Costa (PT) divulgou uma nota lamentando o ocorrido. "A liberdade de imprensa é pilar fundamental da democracia e qualquer ataque ao jornalismo merece repúdio", disse.

Nas redes sociais, Camila Marinho afirmou que "nenhuma ameaça nos tira da nossa missão de informar".

"Só lamento a truculência, o ódio e a covardia dos que se acham melhores e acima de tudo e de todos. Somos trabalhadores exercendo o nosso papel: jornalistas em busca de fatos e da verdade. Mas antes de tudo somos seres humanos. E o mínimo que queremos é respeito".

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou "as agressões e demanda que as autoridades competentes orientem a equipe de segurança do presidente para que respeite o trabalho dos jornalistas, pois lamentavelmente esse tipo de agressão vem se repetindo". 

O Sindicato dos Jornalistas da Bahia afirmou que o episódio é "mais um que se soma ao rol de fatos idênticos que envolvem este governo autoritário e violento". 

"Na raiz da violência do presidente, seguranças e seguidores, está a postura antidemocrática e autoritária que caracteriza esta corrente política e é sua forma de imposição e reconhecimento. Este governo elegeu a imprensa como inimiga porque quer se esconder da sociedade e omitir da população a tragédia que são os três anos da pior gestão presidencial da história democrática do país", diz o texto. 

As entidades exigem uma postura mais firme do STF diante das atitudes do governo. Em novembro, após os episódios de hostilidade durante a viagem a Roma, na Itália, a Corte foi acionada para proibir que o presidente incentivasse ou atacasse`aos jornalistas. 

No pedido, a Rede Sustentabilidade pediu que o Supremo fixasse uma multa de R$ 100 mil por ataque, e determine à presidência a apresentação de um plano de segurança para garantir a segurança dos profissionais. O ministro Dias Toffoli, relator da ação, enviou ação para ser julgada no plenário. 

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