Ao receber Nobel da Paz, jornalistas lembram colegas assassinados e criticam redes sociais

Redação Portal IMPRENSA | 10/12/2021 18:17
Ocorreu em Oslo, Noruega, nesta sexta-feira, 10 de dezembro, a cerimônia de entrega do prêmio Nobel da Paz, que este ano teve como ganhadores o jornalista russo Dmitry Muratov, editor-chefe do jornal independente Novaya Gazeta, e a jornalista filipina Maria Ressa, cofundadora do site de notícias Rappler. Ambos haviam sido anunciados no início de outubro como ganhadores por sua luta a favor da liberdade de imprensa.

Acompanhado com atenção por integrantes da família real norueguesa, Muratov, 60 anos, protestou contra o assassinato de jornalistas. "Fiquemos de pé e honremos com um minuto de silêncio os nossos colegas jornalistas (...) que deram suas vidas por essa profissão. (...) Quero que os jornalistas morram de velhice."
Crédito: Reuters/Terje Pedersen
Jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov recebem Nobel da Paz 2021 por defesa da liberdade de imprensa
O Novaya Gazeta é um dos poucos jornais independentes na censurada imprensa russa. O veículo tem atuação de destaque por suas investigações sobre a corrupção e as violações dos direitos humanos na Chechênia. Desde a década de 1990, seis colaboradores do jornal foram assassinados, entre eles a jornalista Anna Politkovskaya, em 2006.

Muratov aproveitou para ironizar a qualificação de "agente estrangeiro" dada pela Rússia a jornais críticos ao governo de Vladimir Putin. "Se tivermos que nos tornar agentes estrangeiros por recebermos o prêmio Nobel da Paz, então vamos fazê-lo".  

A classificação vem sendo usada para desacreditar veículos com posição editorial independente e tornou-se obrigatória em todas as publicações de grupos de comunicação russos.

Recentemente Putin alertou que o prêmio Nobel não é um "escudo" contra esse status. A Rússia atualmente ocupa a 150ª posição na classificação de liberdade de imprensa da Repórteres Sem Fronteira.

Filipinas

Já Maria Ressa, 58 anos, criticou grandes empresas de tecnologia dos EUA pela difusão do que chamou de "lama tóxica" nas redes sociais.

Respondendo a sete processos judiciais nas Filipinas, ela disse que essas empresas colocam as democracias em perigo ao favorecer a chegada de autoritários ao poder. Ainda segundo Ressa, as redes sociais permitiram que o "vírus da mentira infectasse cada um de nós, colocando uns contra os outros, trazendo à tona nossos medos, nossa raiva e nosso ódio, preparando o terreno para a chegada de dirigentes autoritários e ditadores".

Ressa também destacou a importância de informação confiável em períodos eleitorais e durante pandemias. Perseguida pelo governo do presidente Rodrigo Duterte, a jornalista precisou pedir permissão a quatro tribunais de seu país para poder viajar à Noruega.