Após divulgação de áudio, jornalista de MS é intimada pela Polícia Civil a revelar fonte

Redação Portal IMPRENSA | 02/12/2021 17:41
Repórter do jornal Campo Grande News, a jornalista Geisy Garnes foi intimada em 30 de novembro, pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, a prestar esclarecimentos sobre um áudio divulgado em matéria dela publicada no início de novembro.

O texto relatou um desentendimento entre Adriano Geraldo Garcia, delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, e Daniela Kades, também delegada no estado. O áudio divulgado na matéria contém a discussão entre os dois, que teria ocorrido durante reunião com os titulares das delegacias de Campo Grande.
Crédito:Reprodução Campo Grande News
Delegado Adriano Geraldo Garcia: investigações após divulgação de áudio pelo jornal Campo Grande News

A divulgação do áudio teria dado início a uma série de denúncias contra a administração de Garcia. Dois pedidos de investigação foram registrados no Ministério Público. "O primeiro é um pedido de apuração sobre a ligação do chefe da instituição com o jogo do bicho. O segundo pede o afastamento dele do cargo", resume texto publicado pelo Campo Grande News.

Intimidação com giroflex ligado

Desde a divulgação do áudio, a Corregedoria -Geral vem tentando descobrir a fonte de Geisy. Em uma das tentativas, policiais civis estacionaram uma viatura em frente ao jornal, com giroflex ligado. O veículo informou  às autoridades por ofício que a única gravação disponível estava na própria matéria, de acesso público. 

A intimação é assinada pelo delegado Elton de Campos Galindo, responsável pela Seção de Investigação de Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. A intimação alerta que se a jornalista não comparecer, estará praticando crime de desobediência.

O Campo Grande News destaca que, além da Constituição Federal, interpretação recente do STF (Supremo Tribunal Federal) coroou o sigilo da fonte jornalística como inviolável. "Não bastasse a garantia constitucional, já é entendimento consolidado nas cortes superiores: o jornalista não pode ser constrangido ou se tornar alvo de investigação para revelar sua fonte."