Seis mulheres negras estão entre as vencedoras do Troféu Mulher IMPRENSA + Diversidade

Denise Bonfim | 25/11/2021 08:25
A urgência do debate sobre a diversidade nas pautas e redações chegou ao Troféu Mulher IMPRENSA. Em sua 15ª edição, a premiação incorporou o termo ao seu nome e, não à toa, dedicou espaço especial ao tema, não só reconhecendo o trabalho das grandes profissionais da área, mas com o olhar atento às questões identitárias. Após mais de 43 mil votos válidos, as vencedoras são anunciadas. 

Neste ano, o Mulher IMPRENSA também propôs  duas novas categorias, ‘editoria diversidade’ e os projetos jornalísticos que abordam o tema. A questão propõe ao jornalismo ao menos duas novas demandas: a jornalística e a de recursos humanos. É obrigação para qualquer redação cobrir pautas oriundas da legitimação identitária, seja de gênero, etnia, raça ou tantas outras. 
Crédito:Divulgação
Cris Guterrez, empreendedora e apresentadora do Estação Livre, na TV Cultura
Cris Guterrez, empreendedora e apresentadora do Estação Livre, na TV Cultura
No início da semana, foram anunciadas as vencedoras dos projetos especiais de 2021. Empreendedora e apresentadora do Estação Livre, da TV Cultura, que venceu como Melhor projeto sobre a temática diversidade, Cris Guterres se disse surpresa com o reconhecimento. 

“Para mim foi uma grata surpresa a indicação porque o programa só tem três meses de existência. Eu imaginei que receberíamos algumas indicações daqui há uns meses, mas não tão cedo, porque eu sei o quão potente é essa produção. Temos uma equipe muito qualificada, comprometida em fazer um programa de qualidade”, conta.

“A TV Cultura prega por qualidade e informação em tudo que produz, então a gente colocou todas as energias no Estação Livre, e esse prêmio é a grande prova que investir na população negra, na população que está sempre ausente das mídia de uma forma positiva, população negra, trans, grupos LGBTQIA+, é colocar para dentro um trabalho primoroso. Todo mundo avança quando a gente abre as portas. A população preta brasileira é a chave, então que abram-se os portões. Essa é a grande demonstração que esse prêmio vem a nos trazer”, finaliza. 

Criado em 2005, antes até mesmo da Lei Maria da Penha, considerada um marco na luta pelos direitos das mulheres, o Mulher IMPRENSA teve muitos desafios ao longo de sua história, incorporando novas categorias, formatos, e temas conexos com a pauta. Em 2021, não seria diferente. 

Sucesso individual e coletivo

Recém-chegada ao Fantástico, Maria Julia Coutinho, a Maju, chegou à TV Globo em 2007. De 2013 a 2015, ganhou projeção com aparições nos telejornais matinais da programação em São Paulo. Desde então, passou a comandar esporadicamente atrações de maior relevância do canal. Em 2019, assumiu o Jornal Hoje, agora apresentado por César Tralli. Ela conquistou seu segundo Troféu Mulher IMPRENSA nesta edição. 

No ar também na GloboNews, Flávia Oliveira é uma das principais vozes do jornalismo brasileiro em prol da diversidade. Ela já venceu o prêmio Esso, em 2001, na categoria ‘Melhor Contribuição à Imprensa’ por uma série de reportagens chamada ‘Retratos do Rio’. Em 2003, foi reconhecida pela Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) com o prêmio Jornalismo para Tolerância, pelo trabalho como coeditora no suplemento ‘A Cor do Brasil’, também publicado pel’O Globo.        

Assessorias

Em meio à maior pandemia do século, uma das maiores organizações e referência em saúde no Brasil não poderia ficar fora da premiação. Rita de Cassia Vasconcelos é a responsável pela comunicação da Fiocruz, fabricante da vacina da Astrazeneca no Brasil, é membro do Comitê Pró-equidade de Gênero e Raça da Fiocruz e da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco. Ocupa também o cargo de coordenadora de Comunicação da Rede Nacional de Religiões-Afro-brasileiras e Saúde (Renafro). Já na categoria assessoria de imprensa de agência de comunicação, Márcia Cirino comanda a área de novos negócios da agência Weber Shandwick desde 2017. Cirino é uma das poucas mulheres negras em cargo de chefia nas agências.
 
Especial

Jornalista e criadora de conteúdo, Nathália Braga é apresentadora e roteirista do ‘Resumo da Semana’ no The Intercept Brasil. Seu canal já teve mais de 600 mil visualizações, abordando temas como sexualidade, infância, gênero e questões raciais. Ela é co-fundadora do Influência Negra, e ex-diretora do podcast da plataforma, que recebeu o prêmio Sim à Igualdade Racial em 2021. “É um reconhecimento muito bonito”, diz Nathalia, e apesar de ser reconhecida na categoria  "Editoria de Diversidade" que reconhece as jornalistas especialistas sobre a pauta diversidade, ela alerta que esta editoria sequer existe no Intercept, “sou repórter contribuinte no The Intercept Brasil”.