Mulheres jornalistas recebem mais que o dobro de ofensas no Twitter do que colegas homens

Redação Portal IMPRENSA | 23/11/2021 16:02
Feita pela Revista AzMina e pelo InternetLab, uma análise sobre os ataques sofridos por jornalistas brasileiras no Twitter confirmou o que já havia sido revelado em relatórios semelhantes, feitos por entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Segundo o trabalho, que monitorou 200 perfis de jornalistas brasileiros no Twitter (133 mulheres e 67 homens) entre 1 de maio e 27 de setembro, as profissionais de imprensa do país recebem mais do que o dobro de ofensas em seus perfis do que colegas homens. 

A análise destaca que, em sua maioria, os ataques contra jornalistas “tentam deslegitimar a capacidade intelectual feminina para o exercício da profissão e silenciar a imprensa”. 
Crédito: Reprodução Internetlab

Em muitos casos as ofensas também miram em aspectos físicos das profissionais, fugindo dos temas abordados em suas reportagens e pontos de vista. 

A partir de um dicionário de ofensas misóginas, sexistas, racistas, lesbo, trans e homofóbicas, foram coletados 7,1 milhões de tuítes com conteúdo ofensivo contra os jornalistas monitorados.

Enquanto 8% dos tuítes ofensivos direcionados a jornalistas homens foram considerados hostis, 17% dos direcionados às jornalistas mulheres receberam essa classificação.

Entre os termos mais usados para atacar jornalistas mulheres no Twitter estão “ridícula”, “canalha”, “louca” e “mulherzinha”. 

Uma das coordenadoras da pesquisa no InternetLab, a antropóloga Fernanda K. Martins acredita que os ataques “apontam para um comportamento social que coloca o gênero feminino como naturalmente atacável, naturalmente suscetível a discursos que inferiorizam e menosprezam as mulheres”.

No ranking das jornalistas mais ofendidas estão Eliane Cantanhêde, Vera Magalhães, Daniela Lima, Miriam Leitão, Mariliz Pereira Jorge e Maju Coutinho. 

À Revista AzMina, Mariliz Pereira Jorge contou que já reportou vários ataques ao Twitter, mas não obteve respaldo. “Uma mulher que postar foto do seio pode ser banida porque isso fere muito mais as políticas das plataformas do que uma ameaça de estupro, de morte, como já aconteceu comigo e outras colegas.”

Também à AzMina, Miriam Leitão defendeu que todo perfil deve ter uma pessoa física e/ou empresa identificável juridicamente e que as  plataformas são responsáveis por excluir perfis que não são verdadeiros.

Por sua vez, o Twitter informou que possui política de comportamento abusivo e política contra propagação de ódio. Quanto aos perfis falsos, a nota da plataforma destaca o uso de novas tecnologias, como aprendizado de máquina, e o treinamento da equipe para identificar esses perfis.