Ativista Txai Suruí foi intimidada por brasileiros após discurso na COP26

Redação Portal IMPRENSA | 04/11/2021 09:49
O discurso forte de Txai Suruí na COP26, que fez referências ao ambientalistas Ailton Krenak, aos Zarapatistas do México e até aos Racionais MCs, não agradou à parte dos brasileiros que presentes do evento. 

Em uma entrevista ao UOL, a indígena do povo Paiter Suruí afirmou ter sofrido uma tentativa de intimidação logo após questionar, entre outras coisas, o avanço do extrativismo em terras indígenas da Amazônia. 
Crédito:Fotos Públicas
Ativista Indígena Txai Suruí discursa na COP26
"Depois do meu discurso, fui dar algumas entrevistas, muitas pessoas queriam falar comigo, e uma parte brasileira ficou me intimidando. Ele chegou depois em um momento e falou 'não fala mal do Brasil, porque a gente está aqui para ajudar'. Me senti muito intimidada e não foi muito legal", contou. 

Ela não conseguiu identificar quem havia dado o "recado", mas pela credencial, sabia que tratava-se de um brasileiro. "Foi bem desconfortável", afirma. 

Membros do alto escalão do governo Bolsonaro não compareceram ao evento, que começou logo depois do fim do G20, fato criticado por Txai. 

"O Brasil, que é um dos países que sempre tiveram no centro dessa discussão, sempre um dos países mais importantes, não tem os seus representantes aqui, do governo". 

Em Rondônia, a brasileira é fundadora e coordenadora do movimento Juventude Indígena. Sua experiência a faz se tornar pessimista em relação aos compromissos firmados pelo Brasil nas reuniões. 

"O Brasil fala que vai colocar os povos indígenas no centro dessa discussão, vai acabar com o desmatamento, mas o que a gente está passando no Brasil é uma enorme pressão dos nossos direitos", disse. Dentre os acordos, está a redução em 30% das emissões de gás metano até 2030. 

A discussão do Marco Temporal, parada no STF, também foi abordada por Txai. O projeto prega que os povos indígenas só poderiam reivindicar terras onde já estavam no dia 5 de outubro de 1988. 

"São projetos que querem acabar com as terras indígenas no Brasil. Hoje, se você pega o mapa do Brasil, você vê que só tem floresta em pé onde há presença dos povos indígenas. Isso está sendo muito pouco levado a sério, principalmente porque o Brasil fala, mas não cumpre com o que vem prometendo". 

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