Live em que Bolsonaro mente sobre relação entre Aids e vacina é removida pelo Facebook

Redação Portal IMPRENSA | 25/10/2021 10:34
Pela primeira vez desde o início do governo Bolsonaro, o Facebook e o derrubou uma live do presidente. Na transmissão, que já não está disponível, feita na última quinta-feira (21), ele relacionou a vacina contra covid-19 com a Aids.  

"Nossas políticas não permitem alegações de que as vacinas de covid-19 matam e podem causar danos graves às pessoas", informou a plataforma. 
Crédito:Reprodução
Bolsonaro relacionou vacina contra covid-19 a Aids
Bolsonaro relacionou vacina contra covid-19 a Aids
No vídeo, Bolsonaro leu uma notícia falta que afirmava que "vacinados estão desenvolvendo a síndrome da imunodeficiência adquirida [Aids]". A associação é falsa. O HIV é transmitido por meio de relações sexuais e compartilhamentos de seringas, e a vacina contra covid-19 não tem nenhuma relação com esse vírus.

Vale lembrar que a covid-19 é transmitida pela respiração e pelas partículas da saliva. 
 
Youtube também remove vídeo

Horas mais tarde da decisão do Facebook, foi a vez do YouTube remover o conteúdo do presidente. Segundo informações do G1, o canal de Bolsonaro ficará suspenso por uma semana, impedindo a publicação de novos vídeos e a realização de outras transmissões ao vivo. 

Repercussão 

A fala de Bolsonaro repercutiu negativamente entre a imprensa e outros políticos. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-CE) protocolou à CPI da Covid que envie o teor dos fatos ao ministro Alexandre de Moraes, do (STF), para que seja incluído no inquérito das Fake News.

Em entrevista ao UOL News, o deputado Randolfe Rodrigues (Rede-AP) chamou Bolsonaro de "delinquente Contumaz", e confirmou o contato com Moraes, e disse que a CPI "pode indicar sugestões de providências a serem tomadas". 

Entidades de direitos humanos que defendem a vida digna de pessoas soropositivas também reagiram. O Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas e a Unaids divulgaram notas de repúdio sobre o caso, esclarecendo as formas de contágio pelo vírus que causa a doença. 

"Reforçamos que o estigma e a discriminação relacionados ao HIV são um dos combustíveis da desigualdade e ainda hoje são a maior barreira de acesso a todas as tecnologias biomédicas disponíveis em território nacional", disse a Unaids. 

A cartunista Laerte publicou uma charge onde o símbolo da Justiça interrompia a fala do presidente, decretando sua prisão. 


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