Repórter cinematográfico da Globo é agredido por bolsonarista durante cobertura em Aparecida

Redação Portal IMPRENSA | 13/10/2021 09:55
O repórter cinematográfico Leandro Matozo, da GloboNews, foi agredido por um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a cobertura das festividades de 12 de outubro no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo. 

Pelo Twitter, ele relatou que durante as gravações na parte externa da basílica, ele e o repórter Victor Ferreira foram xingados. Quando Ferreira procurou pelos policiais, Matozo levou uma cabeçada do agressor. 
Crédito:Reprodução/Redes Sociais/@victorferreira
Leandro Matozo é repórter cinematográfico da Globonews
Leandro Matozo é repórter cinematográfico da Globonews
"Já faz um bom tempo que nós do jornalismo estamos convivendo com ofensas, ameaças e agressões. Hoje a vítima fui eu. Acordei de madrugada para trabalhar na cobertura da Celebração ao Dia de Nossa Senhora Aparecida no Santuário Nacional", escreveu. 

"No final da tarde, nossa equipe decidiu gravar na parte externa da igreja, quando fomos surpreendidos por um apoiador do Presidente Bolsonaro. Ele nos abordou com xingamentos contra a TV e não parou. Em um determinado momento, disse: 'Se eu pudesse, mataria vocês'", prosseguiu. 

"Após essa ameaça, meu parceiro Victor Ferreira gritou para os policiais que estavam próximos. O agressor continuou me insultando e, em seguida, deu uma cabeçada no meu rosto. Meu nariz sangrou muito na hora. As medidas judiciais já estão em andamento. A liberdade de imprensa é essencial para o progresso desse país! Não vão nos calar!", finalizou. 

O repórter Vitor Ferreira também se pronunciou, denunciando a conduta da PM na situação. Segundo ele, os policiais não quiseram levar o agressor, identificado pelo Sindicato dos Jornalistas como Gustavo Milsoni, para o Departamento de Polícia. 

"Registramos uma ocorrência na PM, que não quis conduzir o agressor para a delegacia para 'não prender a viatura' no DP, alegando uma tal resolução 150. O agressor foi liberado antes mesmo que nós e ainda pegou carona no carro da PM para voltar ao santuário'", conta. 

"Leandro Matozo está bem. Já estamos tomando as medidas cabíveis. O mais triste é saber que o agressor é um professor de educação básica de uma escola estadual de Mogi das Cruzes. 'Escola Sem Partido', vão dizer por aí", finalizou. 

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo cobrou uma posição da Secretaria de Segurança Pública e pediu por investigações. 

"O ato covarde se insere num contexto de intimidação cada vez mais recorrente de profissionais de imprensa que estão nas ruas para cumprir a função social de levar informação às pessoas", diz o texto. 

"A agressão é um ato de ataque à liberdade de imprensa. Atinge a ponta mais exposta nesse processo, que é o profissional da comunicação. Um trabalhador que, no Dia das Crianças, deixou seu filho em casa para trabalhar e é agredido de maneira covarde", afirma o SJSP.

"O Sindicato dos Jornalistas exige da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e do governo de João Doria que esta agressão não seja relativizada ou negligenciada para que, desta forma, o agressor responda judicialmente na medida de seus atos". 

"Exige, ainda, que episódios como esses sejam investigados com rigor e que os responsáveis sejam punidos. É urgente que se interrompa essa escala de violência contra os trabalhadores da comunicação antes que algo mais grave aconteça", finaliza. 

Na sexta-feira (8), uma equipe de reportagem da TV Tribuna, afiliada da TV Globo na Baixada Santista, também foi alvo de apoiadores do presidente no Guarujá. 

Enquanto aguardavam a chegada da comitiva do presidente, um homem identificado como Armando Izzo hostilizou os repórteres na frente do Forte dos Andradas, chamando-os de "bandidos", "vagabundos", e gritando "Globo Lixo". Ele deu tapas no repórter e na câmera. 

Ele ameaçou pegar uma arma no carro e disse que ia "tacar tiro" nos profissionais. Izzo só deixou o local quando a Polícia Militar chegou. A PM afirmou que as imagens serão analisadas pelo Comando de Policiamento. O SJSP classificou a agressão como um "atentado à democracia". 

Leia também: 



TJSP decide que IstoÉ não cometeu abuso em capa contra Lula de 2017