Presidentes do Equador e Chile são investigados após megavazamento

Redação Portal IMPRENSA | 11/10/2021 17:05
A investigação jornalística coletiva conhecida como Pandora Papers segue dando dor de cabeça em líderes latino-americanos citados no vazamento de 11,9 milhões de documentos sobre movimentações financeiras em paraísos fiscais. 

Na sexta-feira, 8 de outubro, o Ministério Público do Chile anunciou a abertura de uma investigação contra o presidente do país, Sebastián Piñera, após as investigações sobre os documentos vazados terem revelado suspeitas de irregularidades na venda de ações que Piñera possuía em um projeto de mineração.
Crédito:Reprodução Brasil de Fato

A matéria em questão indicou que a empresa Minera Dominga foi vendida em 2010 ao empresário Carlos Alberto Délano, amigo da família presidencial chilena, em uma transação de US$ 152 milhões feita em um paraíso fiscal caribenho.

Equador
Nesta segunda-feira, 11 de outubro, a Assembleia Nacional do Equador anunciou que investigará o presidente Guillermo Lasso também por conta de reportagens realizadas no âmbito da Pandora Papers. 

As matérias mostraram que, pouco antes de candidatar-se a chefe do executivo do Equador, em 2017 Lasso desvencilhou-se de uma rede de 14 empresas offshore que tinha em paraísos fiscais. As investigações jornalísticas também revelaram que as empresas foram fechadas pouco antes do então presidente Rafael Correa sancionar uma lei proibindo que funcionários públicos do país tivessem offshores em paraísos fiscais. 

A produção das matérias sobre os Pandora Papers foi coordenada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em Inglês), entidade sem fins lucrativos baseada em Washington DC, nos EUA.

O trabalho envolveu mais de 600 jornalistas de 117 países e começou a ser publicado em 3 de outubro, em veículos de diferentes partes do mundo. 

No Brasil fizeram parte do projeto o site Poder360, revista Piauí, agência Pública e portal Metrópoles. Somente no Poder360 foram mobilizados 7 jornalistas para cuidar do projeto.

Entre as personalidades brasileiras envolvidas no vazamento estão o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Segundo as investigações, ambos têm empresas em paraísos fiscais e mantiveram os empreendimentos depois de terem entrado para o governo do presidente Jair Bolsonaro, no início de 2019. O caso levou parlamentares da oposição a protocolarem pedidos de investigação por improbidade administrativa e conflito de interesses.

Além da Pandora Papers, outras investigações jornalísticas coletivas sobre megavazamentos de dados foram realizadas recentemente, incluindo Luanda Leaks, FinCen Files, Paradise Papers, Panamá Papers e LuxLeaks.