Com 79 jornalistas bloqueados, Twitter de Bolsonaro tem 98% do conteúdo de interesse público

Redação Portal IMPRENSA | 28/09/2021 09:58
Acionado recentemente pela Abraji no Supremo Tribunal Federal (STF) após bloquear 79 jornalistas no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) argumentou, por meio de sua advogada Karina Kufa, que seu conteúdo não "guardava relação" com sua"atividade política ou relativa ao Estado Brasileiro". 

Segundo um levantamento da Associação, no entanto, 98% das publicações do chefe do executivo  feitas a partir de janeiro de 2021 foram feitas para divulgar ações do governo, pronunciamento, mobilizar militantes ou promover seus canais alternativos de comunicação. 
Crédito:Alan Santos/PR
Jair Bolsonaro
O presidente Bolsonaro já bloqueou 79 jornalistas no Twitter
 A Abraji separou os 4.120 textos publicados na rede social em categorias -  1,4% (68) dize respeito ao "uso pessoal", onde Bolsonaro aparece em fotos ou vídeos com familiares, e envia mensagens de cunho religioso aos seus seguidores. As postagens feitas com a família em missões oficiais entraram nessa categoria. 

Outros 14% dos tuítes se encaixam em "mobilização"< onde o presidente convida seus seguidores a participarem de atos em seu favor e do seu governo, reforçando suas recentes causas: o voto imprenso e o tratamento precoce da covid-19, por exemplo. 

Em 142 oportunidades (3,4%), Bolsonaro utilizou a rede social para entrar em contato com outros chefes de Estado e fazer declarações sobre o noticiário nacional. Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, foi mencionado 17 vezes. 

Outros 192 tuítes (4,7) promoviam a participação do presidente em programas de entrevistas conservadores ou convidava seus seguidores a acompanhá-lo em outras redes sociais, como o Telegram. 

A estigmatização da imprensa, claro, não poderia ficar fora. Foram 79 tuítes - 19,1% - falando sobre o trabalho dos jornalistas. As mensagens bateram recorde de repercussão entre bolsonaristas, batendo, em média, 40 mil likes cada. 

"Assuntos de inquestionável interesse público – como obras públicas, trocas no comando de ministérios, concessão de patrimônio público e operações de combate ao tráfico de drogas – foram levados a público por meio da conta do presidente da República no Twitter”, escreveu a advogada da Abraji, Taís Gasparian, no mandado de segurança protocolado no Supremo em fevereiro deste ano. 

Em petição anexa ao processo, a defesa do presidente também alegou que o bloqueio dos jornalistas nas redes sociais não impede o trabalho jornalístico, haja vista que, segundo eles, existem outras fontes. 

Bloqueios

De acordo com dados da Abraji, os bloqueios não partem só de Bolsonaro. Cerca de 38 políticos com mandato vigente baniram 141 profissionais de imprensa no Twitter, totalizando 285 bloqueios realizados por autoridades públicas. 

Seis políticos vedaram acesso a perfis de veículos de imprensa. Sozinho, o presidente bloqueou DCM, Aos Fatos, The Intercept Brasil, Congresso em Foco, Repórter Brasil e O Antagonista. 

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