Comentários na Jovem Pan levaram a paralisação de vacinação de adolescentes

Redação Portal IMPRENSA | 17/09/2021 19:10
Informações incompletas, levadas ao ar pela comentarista Ana Paula Henkel, no programa da Jovem Pan Os Pingos nos Is, teriam levado o presidente Jair Bolsonaro a determinar a paralisação da vacinação de adolescentes no país.

Bolsonaro teria cobrado o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre o tema após assistir ao programa exibido no dia 14, quando a ex-jogadora da seleção brasileira de vôlei e hoje comentarista citou um trecho de uma versão do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19, do Ministério da Saúde, contraindicando naquele momento a imunização para menores de 18 anos.

“Atenção: recomenda-se que, antes de qualquer vacinação, seja verificada nas bulas e respectivo (s) fabricante (s), as informações fornecidas por este (s) sobre a (s) vacina (s) a ser (em) administrada (s). Até o momento, no Brasil, a vacinação contra a covid-19 não está indicada para indivíduos menores de 18 anos”, destacou a comentarista no programa do dia 14.
Crédito:Reprodução
Marcelo Queiroga, ministro da Saúde

Ana Paula não mencionou, porém, que o mesmo plano detalhava que a vacinação de todos os adolescentes deveria ocorrer assim que fosse aplicada a 1ª dose nos adultos.

Também de forma incompleta, Henkel mencionou dados do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos sobre o aumento de casos de miocardite após a aplicação da segunda dose. Porém, o próprio CDC afirma que os casos são raros e que adolescentes devem se vacinar. Sem informar seus ouvintes a esse respeito, Henkel sugeriu que os números que mostram crianças e adolescentes que contraem a covid "não batem" com os riscos das vacinas.

Após as declarações, Jair Bolsonaro teria entrado em contato com o jornalista Augusto Nunes, que apresenta o programa Os Pingo nos Is. “O próprio presidente, que acompanha o programa, falou com o ministro Queiroga e pediu para passar a informação para todos nós e para todos os que estão acompanhando, segundo a qual a vacina está apenas disponível para menores com comorbidade que queiram tomar a vacina”, disse Nunes.

Em seguida o ministro da Saúde enviou um áudio para a emissora. “Em relação à vacinação contra a Covid-19 para adolescentes, existe uma lei, aprovada pelo Congresso Nacional, que coloca como grupo prioritário adolescentes, desde que haja a aprovação da Anvisa e dentro da regulação do Ministério da Saúde. Em função dessa legislação, o Ministério da Saúde incluiu como grupo prioritário os adolescentes que têm comorbidades. Então, esses que têm comorbidades utilizarão a vacina Pfizer, que é a vacina que tem registro na Anvisa e está aprovada para essa finalidade.”

Ontem, 16 de setembro, o Ministério da Saúde excluiu do programa nacional de imunização contra a Covid adolescentes (12 a 17 anos) sem comorbidades. A decisão contraria orientação dada pelo próprio ministério no início de setembro. Queiroga admitiu que partiu de Bolsonaro o pedido para rever a vacinação para adolescentes.