Caso de jornalista ameaçado vai para o MP após PF negar abertura de investigação

Redação Portal IMPRENSA | 15/09/2021 16:46
Fundador do site Isso É Notícia, de Cuiabá (MT), o jornalista Alexandre Aprá teve negado pela Polícia Federal, nesta quarta-feira, 15 de setembro, um pedido de abertura de investigação para apurar ameaças que sofreu após a publicação de reportagens sobre gastos com publicidade sem licitação do governo do estado.

Após receber avisos para deixar de publicar as reportagens, o jornalista deixou o Mato Grosso e entrou com notícia-crime na PF pedindo investigação das ameaças, que ele atribuiu ao governador  Mauro Mendes (DEM).

O jornalista afirma que um detetive particular foi contratado pelo governador, pela primeira-dama Virgínia Mendes e pelo publicitário Ziad Fares, dono da ZF Comunicação, agência contratada pelo Estado com dispensa de licitação, para incriminá-lo por tráfico de drogas e abuso sexual de menores. 
Crédito:Reprodução
Flagrado, detetive particular admitiu ter colocado GPS para rastrear carro do jornalista Alexandre Aprá, do site Isso é Notícia

Responsável pela decisão de negar o pedido de investigação, o delegado da PF Renato Sayao Dias alegou não ter vislumbrado "nenhum crime de competência federal" no caso. Agora os autos serão encaminhados para o Ministério Público, que irá decidir as medidas cabíveis.

"O representante, ou noticiante, é particular, não é servidor publico federal que tenha sido vítima de crime relacionado ao exercício de suas funções. Os supostos autores, também, não são servidores públicos federais no exercício da função pública, hipótese que poderia atrair a atribuição investigativa da Polícia Federal. O fato, portanto, é de atribuição investigativa da Polícia Judiciária Civil, em se tratando de atos praticados por particular”, sustentou o delegado da PF.

O governador negou envolvimento com a contratação de detetive para incriminar o jornalista e alegou que Aprá é financiado por adversários políticos.

Por sua vez, o jornalista reuniu gravações de áudio e vídeo em que o detetive fala sobre a investigação contra ele, admitindo ter colocado um GPS em seu carro para rastreá-lo.