Colegas solidarizam-se com repórter atacada após matérias sobre pirâmide financeira

Redação Portal IMPRENSA | 30/08/2021 17:21

Na última sexta-feira, 27 de agosto, manifestantes realizaram um ato com direito a carro de som em frente à TV Globo, no Rio de Janeiro. Os participantes protestaram contra reportagens publicadas pelo G1 Rio e exibidas recentemente em duas edições do programa Fantástico, sobre um suposto esquema de pirâmide financeira que levou à prisão, na quarta-feira, 25 de agosto, de Glaidson Acácio dos Santos. 

A prisão foi realizada pela Polícia Federal (PF), em ação realizada em parceria com Ministério Público Federal (MPF), Receita Federal e Procuradoria da Fazenda Nacional. No momento da prisão Santos teria em sua casa mais de R$ 15 milhões de reais em espécie. 

Crédito: Reprodução
Manifestantes na porta da TV Globo, no dia 27 de agosto: contrariados com reportagem sobre pirâmide financeira

Contrariados com a prisão, os manifestantes alegavam que ninguém foi lesado no esquema e gritaram várias vezes o nome da repórter Lívia Torres, que participou da apuração. "O Lívia Torres, cadê você? Eu vim aqui só para te ver."

Reação

Nesta segunda-feira, 30 de agosto, a Associação Brasileira de Imprensa e uma série de jornalistas solidarizaram-se com a repórter e os demais profissionais que participaram da apuração do caso.

"O episódio é gravíssimo e exige providências imediatas das autoridades, identificando e levando à Justiça os responsáveis. Ameaças a jornalistas têm se multiplicado nos últimos tempos. Em boa medida elas são estimuladas pelo comportamento do presidente Jair Bolsonaro, que hostiliza a imprensa quase diariamente. A democracia pressupõe uma imprensa livre e é obrigação do poder público impedir qualquer tipo de ameaça ou intimidação.  A ABI reafirma seu compromisso com essa bandeira e manifesta sua solidariedade à repórter vítima das agressões", escreveu Paulo Jeronimo, presidente da ABI. 

Ex-garçom de 38 anos, Glaidson Acácio dos Santos tem uma empresa denominada G.A.S Consultoria Bitcoin, que promete aos clientes altos rendimentos com criptomoedas.

Em uma ligação interceptada com autorização da Justiça, ele instrui um de seus seguranças a atacar jornalistas que aparecessem em algum dos escritórios da empresa para falar sobre o suposto esquema de pirâmide.

"Eu já falei com o senhor, pela segunda vez, e volto a falar. Você tem que fazer reunião com esses caras e falar assim: olha, é ordem do Glaidson, chegou aqui repórter... É pra pegar, pra amarrar, e eu vou decidir o que vai fazer. Não vai fazer nada, só vai segurar. Deixou escapar, saiu descendo pela escada, porra! Não pode isso acontecer não."

Em outro trecho o acusado volta a orientar a equipe de segurança a intimidar jornalistas: "Tem que chegar... Não vai fazer nada. É ó, me dá a câmera, me dá o celular, você vai ficar aqui...Ah não, você vai ficar aqui! E acabou". O ex-garçom prossegue, e chega a citar o fato de os seguranças trabalharem armados: "Prender aonde? Prender na sala! Não sai! Toma o celular... Tá com arma na mão, pô! Usa a autoridade. Ó, me dá aqui o celular, abre aqui agora! E manda apagar tudo que foi filmado. Aí, liga pra mim!"

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