Repórter que entrevistou líder do Taliban decide deixar o Afeganistão

Redação Portal IMPRENSA | 30/08/2021 11:52
Temendo pela sua vida e pela vida de seus familiares, a apresentadora da rede de notícias do Afeganistão TOLO Beheshta Arghand, que ganhou as manchetes em todo mundo após entrevistar o líder do Taliban, decidiu deixar o país.  

À CNN dos Estados Unidos, ela fez um balanço sobre o trabalho desde que o grupo extremista assumiu o poder no país, e resumiu: 'Deixei o país porque, como milhões de pessoas, tenho medo do Taliban". 
Crédito:Reprodução
Beheshta Arghand entrevista porta-voz do Talibã
Beheshta Arghand entrevista porta-voz do Talibã
Beheshta Arghand, de 24 anos, se formou em jornalismo na Universidade de Cabul, e após passagens por algumas redes de notícias e emissoras de rádio, assumiu o ToloNews neste ano. A experiência, no entanto, durou pouco menos de dois meses. 

A marcante entrevista, que foi ao ar em 17 de agosto, marcou a primeira aparição de um representante do Taliban em um estúdio de TV, sentado em frente a uma mulher apresentadora. 

A jornalista considera a entrevista difícil, mas afirma que fez o trabalho em nome das mulheres afegãs. "Eu disse a mim mesma: 'uma de nós deve começar'. Se ficarmos em nossas casas ou não formos para nossos escritórios, eles dirão que as mulheres não querem trabalhar. Mas disse a mim mesma: comece trabalhando", contou à emissora. 

"Eu disse ao membro do Taliban: 'Queremos nossos direitos. Queremos trabalhar. Queremos - devemos - estar na sociedade. Esse é um direito". 

Com o passar dos dias, as notícias sobre a intimidação e atos de violência contra a imprensa cresceram no país. Depois do líder extremista, Beheshta Arghand chegou a entrevistar Malala Yousafzai, que sobreviveu a um ataque do Taliban no Paquistão por desafiar as normas e frequentar a escola. 

E foi justamente à ativista que a apresentadora pediu apoio para deixar o Afeganistão. Na terça-feira, ela embarcou, ao lado de parentes, em um avião da Força Aérea do Catar. 

"Se o Taliban fizer o que eles disseram, o que prometeram, a situação melhorar e eu souber que estarei segura, voltarei para o meu país, para trabalhar para o meu país e para o meu povo" concluiu. 

Leia também: