Evento celebra legado do jornalista, advogado e abolicionista Luiz Gama

Redação Portal IMPRENSA | 24/08/2021 18:19
Realizada nesta terça-feira, 24 de agosto, em São Paulo, a edição deste ano da Caminhada Luiz Gama celebra, além do legado do jornalista e abolicionista, o longa-metragem “Doutor Gama”, do diretor Jeferson De, que estreou nos cinemas e na Globoplay no último dia 5 de agosto.

Nascido de mãe negra livre e pai branco, Gama foi feito escravo aos 10 anos e permaneceu analfabeto até os 17 anos de idade. Além de ter libertado mais de 500 pessoas escravizadas e de ser considerado Patrono da Abolição da Escravidão no Brasil, Gama teve destaque na imprensa da época, com a publicação de uma série de textos em defesa dos direitos humanos e de ações reparatórias e de inserção dos negros na sociedade brasileira.
Crédito: Filme "Doutor Gama"/Divulgação
Tal atuação o levou a ser reconhecido, em 2018, como jornalista pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Em 2020 ele também foi homenageado com o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Agora em 2021, foi o primeiro brasileiro negro a receber o título de doutor honoris causa da USP (Universidade de São Paulo). 

A Caminhada de Luiz Gama é realizada desde 1991 e remonta ao enterro de Gama, que morreu em 24 de agosto de 1882, aos 52 anos. Na ocasião seu caixão foi carregado a pé por dezenas de pessoas do bairro do Brás, onde ele morava, até o Cemitério da Consolação. Estima-se que 4 mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre. 

Neste ano a caminhada está prevista para começar no Cemitério da Consolação, no túmulo do abolicionista, passar pelo Sindicado dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, na Rua Rego Freitas, e terminar no Largo do Arouche, onde fica o busto de Luiz Gama, instalado em 1931. 

A organização da Caminhada conta com participação de Cristina Adelina (cofundadora e coordenadora do Slam da Guilhermina), Flavio Carrança (membro da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial, Cojira-SP), Oswaldo Faustino (autor do livro “A luz de Luiz”), Max Muratório (produtor cultural, responsável pela exposição sobre Luiz Gama na Caixa Econômica Federal em 2015) e Abilio Ferreira (escritor, coautor do livreto Rhumor Negro, publicado em 1991).