Jornalismo independente cresce sem apoio de anunciantes de peso nem de grandes grupos

Redação Portal IMPRENSA | 06/08/2021 18:14
Mesmo sem vínculo com grandes corporações de comunicação nem o suporte de anunciantes de peso, agências e plataformas de notícias sem fins lucrativos, financiadas por doações de leitores e apoiadores, seguem sendo uma das tendências do mercado jornalístico mundial.

Segundo relatório publicado em junho nos EUA pelo Institute for Nonprofit News, ou Instituto de Notícias Sem Fins Lucrativos, as doações individuais a esses veículos aumentaram 41% em 2020. Além disso, mais de 60% das organizações noticiosas sem fins lucrativos do país registraram aumentos nas doações individuais em 2020. 

No Brasil não é fácil achar dados específicos sobre o setor, mas não faltam indícios de que ele está igualmente aquecido. Um apanhado deles pode ser ouvido no episódio 36 do podcast. Aqui se Faz, Aqui se Doa, da InfoMoney, que focou em iniciativas já conhecidas dos leitores do Portal IMPRENSA.
Crédito: Reprodução

A primeira é a revista AzMina, que foi criada em 2015 por um coletivo de jornalistas feministas, para "fomentar a informação e tecnologia pela igualdade de gênero". Após uma campanha de financiamento coletivo inicial reunir R$ 50 mil de mais de 600 doadores, as jornalistas participantes publicaram uma reportagem sobre o trabalho precário em fábricas de roupas.

Hoje o site da AzMina conta com mais de 170 mil visitas mensais e o projeto com seu próprio instituto, que já lançou campanhas de conscientização como #MachismoNãoÉBrincadeira, Carnaval Sem Assédio e #VamosMudarOsNúmeros.

Outra iniciativa destacada pelo podcast é o site de jornalismo alimentar O Joio e o Trigo, que foi criado em 2017 para "lutar por um sistema alimentar melhor, mais justo".  Buscando denunciar os lobbies do agronegócio não alinhados ao interesse público, o projeto de jornalismo investigativo entende que comer é um "ato político, com profundas implicações sociais, econômicas e ambientais".