Declarações falsas de Bolsonaro disparam e Brasil perde liberdade de expressão

Redação Portal IMPRENSA | 29/07/2021 17:58
Apenas um dia após um estudo da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) apontar que o número de ataques à imprensa feitos pelo presidente Jair Bolsonaro aumentou 74% no primeiro semestre deste ano, a Artigo 19, entidade internacional ligada à defesa da liberdade de expressão e opinião, lançou um relatório indicando que o número de declarações falsas ou enganosas do mandatário brasileiro mais do que triplicou entre 2019 e 2020.

Divulgado nesta quinta-feira, 29, o Relatório Global de Expressão mapeou informações de 161 países. O documento aponta que no ano passado Bolsonaro fez 1.682 declarações falsas ou enganosas, contra cerca de 500 em 2019. Ainda segundo o trabalho, o presidente propagou mais de quatro mentiras por dia em 2020. 
Crédito: Reprodução

O estudo registrou ainda 464 declarações públicas feitas pelo presidente, seus ministros ou assessores atacando ou deslegitimando jornalistas e o seu trabalho. As violações contra jornalistas e comunicadores somam 254 casos. Deles, quase 50% (123 violações) foram cometidos por agentes públicos, e 18% (46 casos) continham expressões racistas, sexistas ou LGBTQIA-fóbicas. 

O relatório também destaca que o nível de retórica anti-imprensa do governo Bolsonaro não era visto no Brasil desde a ditadura militar. Diante de tal quadro, a entidade rebaixou o país a seu menor nível histórico de liberdade de expressão : 52 pontos, em escala de zero a cem. 

Situação internacional
Analisando o cenário de liberdade de expresso e opinião em outros países, o relatório aponta que dois terços da população mundial vive total ou parcialmente cerceada desse direito fundamental. A situação foi bastante agravada pela pandemia, que teria sido usada como uma espécie de subterfúgio para a adoção, por governos com tendências autoritárias, de medidas que impõem restrições à liberdade de expressão e opinião. 

Dentre os mais de 160 países analisados, 61% foram definidos como em crise ou com restrições de liberdade de expressão. O resultado é o pior da década.

A América Latina também apresentou resultados negativos, ficando com 64 pontos, seu pior desempenho em dez anos. A propagação de conteúdos falsos e o estarrecedor número de 264 assassinatos de defensores dos direitos humanos na região em 2020 contribuíram para a performance negativa. 

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