Ataques à imprensa desferidos por Bolsonaro cresceram 74% no primeiro semestre

Redação Portal IMPRENSA | 28/07/2021 19:42
Divulgado nesta quarta-feira, 28, levantamento feito pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) sobre ataques à imprensa feitos por autoridades brasileiras revelou que o presidente Jair Bolsonaro atacou a imprensa ao menos 87 vezes somente no primeiro semestre de 2021. 

O estudo integra uma série reeditada pela RSF a cada seis meses. O resultado atual é 74% acima ao observado no segundo semestre de 2020. Entre os agentes públicos monitorados pela RSF, Bolsonaro foi o campeão do ranking. 

O levantamento considera ataque o uso de discursos anti-imprensa e as chamadas agresso~es morais contra jornalistas, vei´culos e grupos de comunicac¸a~o. As agresso~es morais incluem ameac¸as e xingamentos, além da exposic¸a~o de jornalistas e vei´culos de comunicac¸a~o de maneira vexato´ria. 

Tambe´m são consideradas ataques à imprensa publicac¸o~es nas redes sociais e falas pu´blicas de autoridades com intuito de construir uma reto´rica de desconfianc¸a e falta de credibilidade do trabalho jornali´stico.
Crédito:Reprodução

Foram analisadas pela RSF as contas de Twitter e Facebook de autoridades. No caso do presidente, também foram analisadas suas lives semanais e aparic¸o~es pu´blicas, como coletivas e entrevistas noticiadas pela mi´dia e pela assessoria de imprensa da Preside^ncia.

Ao todo o levantamento registrou 331 ataques contra jornalistas e órgãos de mídia desferidos por autoridades públicas de alto escalão no Brasil. Quase 90% deles são de autoria da família Bolsonaro. Os integrantes da família que mais cometeram ataques foram o deputado Eduardo Bolsonaro ( 85 ataques), o vereador Carlos Bolsonaro (83 ataques) e o senador Flávio Bolsonaro (38 ataques).

Predador da liberdade de imprensa
Entre os veículos de mídia, o Grupo Globo foi o principal alvo, com 76 ataques, seguido do Grupo Folha, com 44 ataques.

Em abril último, pela primeira vez em 20 anos, o Brasil entrou na "zona vermelha" do Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa da RSF.

Ocupando a 111ª colocac¸a~o no ranking, o país é considerado, junto com Bolívia, Nicarágua, Rússia, Filipinas, Índia e Turquia, uma nação na qual a situação para o trabalho da imprensa é considerada difícil. No início de julho de 2021, a RSF incluiu o presidente Bolsonaro em sua lista global de predadores da liberdade de imprensa.

Segundo a entidade, essas atitudes violam normas internacionais de direitos humanos, que preveem como papel do Estado condenar agresso~es contra jornalistas, além de na~o adotar discursos pu´blicos que exponham jornalistas e outros comunicadores a maior risco de viole^ncia ou aumentem sua vulnerabilidade.