Em possível revide, governo edita portaria que prejudica Fundação Roberto Marinho

Redação Portal IMPRENSA | 27/07/2021 16:37
Não faltam indícios de que o governo Bolsonaro arquitetou mais um ato de retaliação, novamente pela via do cerceamento econômico, ao Grupo Globo, considerado inimigo da pátria pelos fanáticos apoiadores do presidente.

O revide teria se dado a partir de uma portaria do Ministério do Turismo que veio a público nesta segunda-feira, 26 de julho. A medida inabilita por três anos a Fundação Roberto Marinho, ligada à Globo e responsável pela gestão de grandes projetos culturais do país, para a captação de recursos públicos, além de cobrar a devolução de R$ 54 milhões ao Fundo Nacional de Cultura (FNC). 
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Fachado do futuro prédio do MIS, em Copacabana: governo teria usado projeto para retaliar Fundação Roberto Marinho

O valor refere-se ao dinheiro aplicado na construção do Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro, na Praia de Copacabana. O MIS é uma obra do governo do Estado do Rio de Janeiro parada desde 2016.

Estima-se que 70% do projeto já estejam concluídos. Até hoje foram investidos, de acordo com o governo estadual, R$ 79 milhões de recursos públicos e R$ 50,3 milhões captados pela Fundação Roberto Marinho junto à iniciativa privada. 

Os recursos para concluir o projeto viriam dos cofres do estado. Mas o projeto é de responsabilidade da Fundação Roberto Marinho. A portaria do Ministério do Turismo pode inviabilizar a retomada.

O secretário especial da Cultura, Mario Frias, celebrou a decisão e fez críticas à Fundação Roberto Marinho. "As auditorias dos projetos da Lei Rouanet são parte fundamental para moralizarmos os mecanismos de fomento à cultura. É uma prioridade, na minha gestão, auditar todo o passivo de R$ 13 bilhões, para identificar e punir o mau uso do dinheiro do nosso povo."

Recentemente Mario Frias criticou outra obra implantada pela Fundação Roberto Marinho, o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. O ator condenou o uso do pronome neutro "todes" pela redes sociais oficiais do museu.

"O governo federal investiu R$ 56 milhões nas obras do Museu da Língua Portuguesa, para preservarmos o nosso patrimônio cultural, que depende da preservação da nossa língua. Não aceitarei que esse investimento sirva para que agentes públicos brinquem de revolução", postou Frias no Twitter. "Tomarei medidas para impedir que usem o dinheiro público federal para suas piruetas ideológicas. Se o governo paulista se comporta como militante, vandalizando nossa cultura, não o fará com verba federal."