Sistema que Bolsonaro avaliou comprar espionou cerca de 180 jornalistas no mundo

Informações foram reveladas pela imprensa internacional no último fim de semana

Redação Portal IMPRENSA | 19/07/2021 15:51
Reportagens publicadas pelos maiores jornais do mundo revelaram neste domingo que jornalistas do mundo todo foram alvos de espionagem por meio do software Pegasus, criado pelo grupo NSO, de Israel. Segundo reportagem do UOL, o Governo Bolsonaro esteve próximo de adquirir o programa, apesar de negar publicamente. 

Segundo informações publicadas pelo The Washington Post, The Guardian e Le Monde, a Anistia Internacional e a Forbidden Stories tiveram acesso a documentos que apontam que até 50 mil telefones poderiam ter sido alvo do Pegasus nos últimos cinco anos. 

Ao menos 180 profissionais estavam em uma lista de "alvos" em que os clientes estariam interessados em "monitorar". 
Crédito:FreePic
dados
Jornalistas estariam sendo espionados por sistema Pegasus
Nem todos os profissionais foram hackeados, mas a lista contém nomes de profissionais dos maiores veículos do mundo, como CNN, The New York Times, The Wall Street Hournal, El País, Associated Press, Le Monde, Bloomberg, The Economist, Reuters, Al-Jazeera, entre outros. 

Dois dos números pertenciam a mulheres próximas de Jamal Kashoggi, que foi morto na Turquia em 2018, além do telefone de outro jornalista mexicano que também foi morto. 

Desenvolvido em Israel, o Pegasus foi criado para coibir a ação de terroristas, mas vem sendo adquirido por governos para invadir celulares e monitorar opositores políticos. Segundo o jornal The New York Times, entre 2011 e 2017, o governo mexicano investiu 80 milhões de dólares para investigar jornalistas e políticos contrários ao presidente Enrique Peña Nieto.

O sistema funciona como um vírus, rastreando as atividades de quem teve seu aparelho infectado - de mensagens a informações bancárias.

Em maio, a Pegasus abandonou uma licitação do Ministério da Justiça e Segurança Pública após uma reportagem do UOL mostrar o envolvimento do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, na negociação. A atuação teria gerado insatisfação dos militares do Gabinete de Segurança Institucional e a Abin. 
Em nota enviada ao Portal Imprensa em junho , o Ministério da Justiça e da Segurança Pública informou que não há processo em curso para adquirir o sistema Pegasus, e reiterou a finalidade da licitação em aberto, dizendo se tratar de uma "ferramenta de busca e consulta de dados em fontes abertas, mídias sociais, deep e dark web". A Harpia Tecnologia, no entanto, aparece entre as empresas que participaram do pregão.
 
Leia também: