Os que defendem a lisura devem apoiar senador Aziz do ataque de militares, diz ABI

Redação Portal IMPRENSA | 08/07/2021 18:45

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) posicionou-se nesta quinta-feira (8 de junho) contra a nota divulgada pelos comandantes das Forças Armadas condenando declaração do senador Omar Aziz feita na CPI da Pandemia.

Os comandantes militares acusaram o parlamentar de atacar e de generalizar esquemas de corrupção na compra de vacinas entre os militares. 

Para a ABI, não houve qualquer acusação às Forças Armadas em si. "Surgiram apenas nomes de militares isolados e nem mesmo eles foram acusados por Aziz. Simplesmente depoimentos de terceiros trouxeram seus nomes à baila. Como era lógico, a CPI considerou conveniente convocá-los para depor." 

Crédito: Reprodução

Ainda segundo a entidade, tal decisão foi suficiente "para que os chefes militares se alvoroçassem".

"Ora, as Forças Armadas são instituições de Estado necessárias a um país soberano. Não interessa a qualquer brasileiro vê-las enxovalhadas. Mas é preciso que se dêem ao respeito. Ou elas próprias estarão contribuindo para o seu desgaste", escreveu Paulo Jeronimo, presidente da ABI.

De acordo com o dirigente, a CPI da Pandemia não fez qualquer acusação ao Exército, à Marinha ou à Aeronáutica. "Simplesmente está apurando os fatos, que são gravíssimos, trazendo elementos para posteriormente responsabilizar quem cometeu atos de corrupção. Sejam civis ou militares." 

As investigações da CPI da Covid têm revelado que dois grupos disputavam o controle das compras no Ministério da Saúde. Um, formado por parlamentares do chamado Centrão.  Outro por militares ligados a Jair Bolsonaro e ao ex-ministro da saúde Eduardo Pazuello. 

"Assim, num momento em que, talvez por corporativismo, os chefes militares tentam intimidar o senador Aziz, todos os que defendem a lisura em relação à coisa pública devem se solidarizar com ele", finaliza o presidente da ABI.

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