De olho nas eleições, Ortega intensifica perseguição a jornalistas na Nicarágua

Redação Portal IMPRENSA | 22/06/2021 17:55
A cinco meses das eleições gerais na Nicarágua, o governo do presidente Daniel Ortega intensificou a perseguição a jornalistas e opositores, aumentando a tensão e o cerceamento à liberdade de expressão no país da América Central.   

Depois da prisão na noite desta segunda (21), por "crimes contra a soberania", da ex-deputada María Fernanda Flores, esposa do ex-presidente Arnoldo Alemán, e do jornalista Miguel Mendoza, o também jornalista nicaraguense Carlos Chamorro denunciou nesta terça (22) que teve que deixar o país com sua esposa Desirée Elizondo.
Crédito: Reprodução Twitter

Diretor do Esta Semana e do confidencial.com.ni, Chamorro disse que na noite de segunda policiais foram à casa de sua família, onde estava sua mãe idosa, revistaram tudo e permaneceram em vigília até 6 da manhã, como forma de intimidação. Na manhã de terça, Chamoroo denunciou que efetivos da polícias realizaram outras ações de assédio contra vários de seus familiares e companheiros de trabalho.   

Já o jornalista Miguel Mendoza, conhecido por cobrir esportes, foi preso por usar as redes sociais para publicar comentários políticos contrários ao governo. Em uma de suas últimas postagens no Twitter, Mendoza chamou o governo Ortega de "pária internacional" e comparou a onda de prisões na Nicarágua aos sequestros ordenados pelo narcotraficante Pablo Escobar.

15 opositores presos
Chefiada pelo sogro de Ortega, Francisco Díaz, a polícia do país disse em nota que o jornalista está sendo investigados por "comprometer a independência e a soberania" da Nicarágua, além de "incitar a interferência estrangeira em assuntos internos e pedir intervenções militares".

Pelo menos outros 15 opositores foram detidos na Nicaraguá nos últimos dias sob argumentos semelhantes. Alguns dos presos, como Miguel Mora, são candidatos à presidência. 

Aos 75 anos, Ortega está há 14 no poder e busca o quarto mandato seguido. Em relatório de 38 páginas divulgado nesta terça (22), a ONG Human Rights Watch pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) que pressione o presidente nicaraguense a cessar abusos aos direitos humanos e a perseguição a jornalistas.