Acuado por CPI e protestos, Bolsonaro perde compostura e expõe jornalistas a risco

Redação Portal IMPRENSA | 21/06/2021 18:46
Demonstrando ter sentido a queda de popularidade, o avanço da CPI da Covid e os protestos contra seu governo do dia 19 de junho, que reuniram mais de 700 mil pessoas em todo o país, o presidente Jair Bolsonaro protagonizou mais um triste episódio de destempero, falta de preocupação com o próximo, negacionismo e intolerância. 

Ele expôs a repórter Laurene Santos e o repórter cinematográfico André Bias, ambos da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo no Vale do Paraíba, ao risco de contágio de covid-19. 

O fato ocorreu quando os profissionais faziam cobertura da visita do presidente à cidade. Questionado por Laurene sobre o porquê de sua chegada ao local sem máscara, Bolsonaro perdeu a compostura, arrancou a máscara que usava naquele momento e afirmou aos gritos:
Crédito: Reprodução

“Eu chego como quiser, onde quiser, eu cuido da minha vida. [Tira a máscara] Você está feliz agora? Essa Globo é uma merda de imprensa. Vocês são uma porcaria. Cala a boca! Vocês são uns canalhas. Vocês fazem um jornalismo canalha. Vocês não ajudam em nada. Vocês destroem a família brasileira. Você tinha de ter vergonha de prestar esse serviço porco à Rede Globo”.

Bolsonaro também atacou a CNN Brasil, alegando que a emissora “soltou fogos” para as manifestações de sábado contra o governo. 

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) condenaram mais esse ataque do presidente à imprensa. A regional Vale do Paraíba do Sindicato dos Jornalistas ofereceu apoio jurídico aos profissionais. 

Na semana passada Bolsonaro fez mais uma movimentação contra a imprensa. Via Advocacia-Geral da União, o governo do presidente sugeriu ao Supremo Tribunal Federal que dê à Justiça Militar poder para julgar civis por supostas ofensas a instituições militares e às Forças Armadas. O principal alvo da ação é a imprensa. A sugestão é embasada em pareceres elaborados pelas áreas jurídicas do Ministério da Defesa, do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.