CPI revela pagamentos a apresentador e a canais que divulgam desinformação

Redação Portal IMPRENSA | 17/06/2021 17:55
A CPI da Covid recebeu recentemente diferentes informações e documentos que ajudam a entender como funciona a idiossincrática comunicação do governo federal. 

No primeiro, os parlamentares receberam da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) um documento informando que o governo federal pagou R$ 120 mil em verbas públicas para o apresentador Sikêra Jr, da Rede TV! O apresentador é amigo da família do presidente Jair Bolsonaro.

Os pagamentos foram feitos de dezembro de 2020 a abril deste ano, segundo documentos analisados pelo jornal Folha de S.Paulo.
Crédito:Reprodução
Bolsonaro e o apresentador Sikêra Junior, de terno azul: ética cancelada

No segundo caso, os parlamentares receberam informações sobre os ganhos de canais do YouTube que chegaram a ter vídeos apagados da plataforma por difundirem desinformação sobre formas de tratamento para a covid-19 ou a pandemia.

Os documentos foram entregues de forma sigilosa à CPI e vieram à tona esta semana a partir da coluna de Natália Portinari no jornal O Globo.

No início de maio, em requerimento solicitando informações ao Google, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) pediu que fossem detalhados os valores transferidos pelo governo federal aos canais de YouTube  que divulgam desinformação sobre a pandemia.

Segundo Portinari, quem mais recebeu dinheiro por espalhar desinformação foi o jornalista Alexandre Garcia, que teve 126 vídeos tirados do ar depois de terem rendido quase R$ 70 mil em remuneração pela audiência e publicidade. A listam também conta com os canais Notícias Políticas BR (R$ 20,7 mil) e Brasil Notícias (R$ 17,7 mil).

O caso reforçou a discussão sobre a necessidade de responsabilização do YouTube pela disseminação de desinformação sobre a pandemia. Não faltam estudos dimensionando a gravidade da situação. 


Um deles, intitulado “Ciência Contaminada - Analisando o Contágio de Desinformação Sobre Coronavírus via YouTube”, do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário (Cepedisa) da USP, do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (LAUT) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), sediado na UFBA, revelou que na plataforma vídeos com notícias falsas ou dados contrariando levantamentos científicos oficiais foram três vezes mais vistos que conteúdos de redes de informações verdadeiras sobre a covid-19.


Fora do Brasil o uso do YouTube como plataforma de desinformação sobre a covid também preocupa. Estudo da Universidade de Michigan divulgado em julho de 2020 apontou que pelo menos um quarto dos vídeos que circulavam sobre o novo coronavírus no YouTube não continham embasamento científico válido.

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