‘Limpa’ de perfis inautênticos motiva defesa de decreto para limitar poder das redes sociais

Redação Portal IMPRENSA | 16/06/2021 10:48

Uma “limpeza” de contas inautênticas ou sem atividade pelo Twitter durante esta semana motivou conspirações entre influenciadores e políticos, especialmente os apoiadores de Jair Bolsonaro, de que a plataforma estaria interferindo na liberdade dos internautas.

Crédito:Pexels

A medida estimulou a defesa de um decreto presidencial que pode ser editado pelo presidente, para restringir o poder das empresas de tecnologia de intervir no que é publicado e de remover conteúdo, como aqueles considerados falsos ou ofensivos.


A ação do Twitter, no entanto, converge para uma tentativa de tornar seu ambiente virtual mais legítimo, com troca de informações entre usuários reais em vez da prevalência de robôs.


A plataforma informou que o trabalho “tem como objetivo manter as contas seguras e prevenir tentativas de manipulação das conversas via spam" e que “consiste em solicitar que contas que apresentem comportamentos suspeitos ou incomuns mudem sua senha ou verifiquem informações como número de celular, por exemplo. Enquanto as contas não passam por esse processo, elas ficam desabilitadas, com funcionalidades limitadas, e deixam de entrar no cálculo para contagem de seguidores". 


Não só as contas automatizadas são desativadas. Usuários que abandonaram suas contas também podem ser afetados, mas caso tenham interesse de permanecer na plataforma, terão a possibilidade de recuperá-las através de ferramentas de confirmação.


Teorias


Foram removidas milhares de contas desde o início da semana, muitas de seguidores dos apoiadores de Bolsonaro e membros do governo, que passaram a cobrar a publicação do decreto presidencial para limitar a atuação das plataformas.


O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse que perdeu mais de 15 mil seguidores e cobrou a aprovação “urgente” da nova regra. "Isso não é interferência na área privada. Quando um empregador usa mão-de-obra escrava, que é também uma violação as liberdades, e é punido por isso, ninguém vê aí uma interferência na atividade privada", escreveu no Instagram.


O secretário de Cultura, Mario Frias, também defendeu o controle das plataformas após perder seguidores. "Isso só mostra a necessidade de regras públicas de controle, que garantam a liberdade e os direitos dos nossos cidadãos", afirmou no Twitter.


O decreto é considerado ilegal e inconstitucional por especialistas., que afirmam que o texto restringiria a liberdade das empresas de gerir seus ambientes online e iria assoberbar o Judiciário por só permitir a exclusão de alguns conteúdos após decisão da Justiça.


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