Leandro Demori faz denúncia sobre a polícia do Rio e vira alvo de inquérito

Redação Portal IMPRENSA | 09/06/2021 12:24

O jornalista Leandro Demori, editor-executivo do site The Intercept Brasil, está sendo investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro após denunciar a possível existência de um grupo de extermínio dentro da corporação, e que teria atuado na operação da Favela do Jacarezinho, no início de maio.

Crédito:Wikipedia

O inquérito foi aberto pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática para apurar o crime de calúnia, a pedido dos policiais que fazem parte do grupo que atuou na operação. Eles disseram que se sentiram ofendidos com a reportagem.


A medida repercutiu mal entre entidades de jornalismo e profissionais da área, que apontam o ataque ao jornalista como forma de cercear o trabalho da imprensa, em vez de apurar as denúncias apuradas e relatadas.


Segundo a Associação Brasileira de Imprensa (Abraji), a a delegacia é comandada por Pablo Dacosta Sartori, o mesmo delegado que intimou o youtuber Felipe Neto por supostamente violar a Lei de Segurança Nacional ao chamar o presidente Jair Bolsonaro de genocida. Ele também atuou na intimação determinava o depoimento da dupla de apresentadores do Jornal Nacional, William Bonner e Renata Vasconcellos, por suposto crime de desobediência a decisão judicial. 


A reportagem


No texto de Demori, publicado no dia 8 de maio, ele cita evidências sobre a possível existência do grupo de matadores dentro da Coordenadoria de Recursos Especiais, a Core, que é uma espécie de grupo de elite da Polícia Civil.


Segundo a reportagem, os policiais são conhecidos como “facção da Core” e estão envolvidos em outras operações que no total deixaram 41 mortos. No Jacarezinho, no dia 6 de maio, foram 28 mortos.


O jornalista cobrou a investigação das suspeitas, tanto em relação às operações como no que diz respeito à atuação dos delegados que as comandaram. Mas o efeito foi inverso.


Logo após a publicação, Demori foi intimado para prestar depoimento e tomou conhecimento de que estava sendo investigado. “Eu acabei fazendo uma denúncia e me espanta que o Estado está virando as suas baterias contra o denunciante, contra mim, que sou jornalista e estou trabalhando estritamente dentro dos limites legais que a Constituição e a lei me reservam, inclusive protegendo as fontes que me passaram as informações em relação à denúncia”, declarou Demori.


A Abraji argumentou as forças policiais tentam intimidar o trabalho da imprensa de informar a população sobre assuntos de interesse público e apelam “para o ataque imediato ao mensageiro, em vez de apurar as graves denúncias e prestar contas à sociedade”.


Veja repercussão: 


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