Contas falsas derrubadas pelo Facebook foram acessadas da casa de Bolsonaro e de dentro do Planalto

Redação Portal IMPRENSA | 07/06/2021 10:28

Um dos perfis do Facebook derrubados no ano passado, após o inquérito sobre a organização de atos antidemocráticos no Brasil, foi operado de endereços ligados ao presidente Jair Bolsonaro. A informação foi divulgada pelo Estadão com base em relatórios da Polícia Federal.

Crédito:Agência Brasil

De acordo com o inquérito, que investigou a organização de manifestações defendendo a volta da ditadura militar e atacando instituições democráticas do País, a conta derrubada era operada do Palácio do Planalto, sede oficial do governo, e da casa da família Bolsonaro na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.


Segundo a reportagem, a PF teve como base um relatório produzido pela Atlantic Council, que faz análises independentes sobre a remoção de perfis da rede social por ‘comportamento inautêntico coordenado’.


O critério para a derrubada das contas usado pelo Facebook, segundo a PF, foi o seguinte: “operações executadas por um governo para atingir seus próprios cidadãos. Isso pode ser particularmente preocupante quando combinam técnicas enganosas com o poder de um Estado”.


A investigação


Inicialmente, foram identificadas 80 contas consideradas inautênticas responsáveis pela difusão de informações antidemocráticas. Em seguida, a PF obteve com as operadoras de internet os números de IP dos computadores e outros equipamentos usados para operar esses perfis e os dados usados nos cadastros dos IPs, incluindo localização de acesso.


A conclusão surpreende: ao menos 1.045 acessos partiram de órgãos públicos, incluindo a Presidência da República, a Câmara dos Deputados, o Senado e o Comando da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea do Exército. E entre esses, constam acessos a partir da rede de wifi do Palácio do Planalto e da casa dos Bolsonaro no Rio de Janeiro.


Dos endereços ligados a Bolsonaro, foram acessadas a conta de Instagram Bolsonaro News e o perfil pessoal no Facebook de Tércio Arnaud Thomaz, assessor do presidente apontado como integrante do chamado ‘gabinete do ódio‘. Na casa de Bolsonaro, os acessos foram feitos em novembro de 2018, e na rede da Presidência, entre novembro de 2018 e maio de 2019.


A página usa memes para atacar ex-aliados de Bolsonaro. “Muitas dessas postagens foram publicadas durante o horário de trabalho, o que pode ser uma indicação de que Tércio Arnaud Thomaz estava postando neste site – que não está oficialmente conectado à Presidência – durante o horário oficial do gabinete”, diz trecho do relatório da Atlantic Council.


Leia também:


"Bolsonaro agride imprensa de maneira inédita após ditadura", diz Ricardo Noblat


RSF analisa as estratégias de Bolsonaro para silenciar a imprensa